sexta-feira, 18 de junho de 2010

Empresa de segurança de estádios da Copa cancela contrato com a Fifa

O contrato para garantir a segurança de quatro dos estádios da Copa do Mundo foi cancelado pela empresa especializada Stallion, e não pela Fifa, disse a primeira. Seu chefe executivo, Clive Zulberg, confirmou o cancelamento do documento. 

Um comunicado da Stallion diz que não pode comentar sobre os méritos da questão, já que é provável que o imbróglio se torne litigioso, além de haver uma cláusula de confidencialidade no acordo com a entidade que comanda o futebol, informou o jornal The Star

O fim do contrato de segurança para os estádios na Cidade do Cabo, Durban e os dois de Johannesburgo veio depois da série de protestos dos guardas contratados. 

A polícia precisou intervir para acabar com as manifestações. Nesta quinta, no Estádio Green Point, balas de borracha e granadas de efeito moral foram usadas para dispersar os trabalhadores descontentes com o baixo salário. 

Zulberg afirmou que é falso o comunicado do Comitê Organizar Local (COL), que diz não ter nenhuma responsabilidade na determinação do valor a ser pago aos guardas da empresa de segurança para o Mundial da África do Sul. 

O COL não quis comentar sobre o assunto. 

Fonte: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa/2010/

Globo obriga Galvão Bueno a debochar de si mesmo

Fabíola Reipert, colunista do R7

Emissora quer passar imagem mais simpática do locutor

Mesmo contrariado, Galvão Bueno está sendo obrigado a fingir que não está incomodado com a campanha "Cala Boca Galvão", que está crescendo a cada dia na internet, chegando a ser comentada mundialmente.

A Globo fez o apresentador mostrar-se de bom humor no programa Central da Copa, de Tiago Leifert, deixando transparecer que não está nem aí. E a cena está sendo reprisada em outros programas da casa. 


A antipatia por ele é tão grande que a Band está crescendo consideravelmente no Ibope (deu 11 pontos de média com a estreia do Brasil na Copa), fazendo a Globo perder audiência. 


O público está mudando de canal para não ter de ouvir Galvão falando. 


O objetivo da Globo é deixar passar ao público uma imagem de um Galvão Bueno mais simpático, que aceita brincadeiras e sabe rir de si mesmo. 


Mas o comentário nos bastidores é que o narrador da Globo não está nem um pouco satisfeito com essa história toda. Muito menos com a pressão da emissora. 


A CGCom (Central Globo de Comunicação) procurou o blog por telefone e disse que a nota é “maldosa e incorreta”. A assessoria da Globo afirmou que a emissora jamais forçou Galvão Bueno a brincar com o episódio Cala a Boca, Galvão. Na visão da emissora, tudo ocorreu de forma espontânea e divertida e as imagens na íntegra mostram um Galvão “absolutamente relaxado”.

 
Colaborou Miguel Arcanjo Prado, repórter do R7 

Fonte: http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/

Sociedade venceu mais uma batalha, diz OAB sobre Ficha Limpa

Severino Motta, iG Brasília 

Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, comemorou a decisão do TSE, que garantiu a aplicação da Ficha Limpa

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, disse nesta quinta-feira, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) responder consulta e validar a Ficha Limpa para políticos condenados antes da publicação da lei que “a sociedade venceu mais uma batalha”.

"A lei do Ficha Limpa é para valer e todo político com ficha suja não terá vez no futuro cenário político do país. A sociedade venceu mais uma batalha na guerra pela ética na política", disse.

A OAB é uma das instituições que compõe o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), responsável pela coleta de assinaturas e apresentação do projeto de iniciativa popular que resultou na Lei da Ficha Limpa.

A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de cidadãos condenado em decisão colegiada (mais de um juiz) por crimes contra a administração pública, o sistema financeiro, ilícitos eleitorais, de abuso de autoridade, prática de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, tortura, racismo, trabalho escravo ou formação de quadrilha.
Apesar das restrições, um dispositivo na lei garante a obtenção do registro no caso de uma liminar favorável dos Tribunais Superiores. Neste caso, o julgamento do processo do candidato ganha prioridade em sua tramitação na Justiça.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/

Decepcionado com a França, Zidane elogia o México: 'O melhor venceu'

Ídolo francês diz que rivais dos Bleus demonstraram superioridade física

A lista de franceses decepcionados com a derrota por 2 a 0 para o México ganhou um nome de peso. O ídolo Zinedine Zidane esteve no estádio Peter Mokaba, em Polokwane, e, além de avaliar que “a França não jogou bem”, criticou a ineficiência dos Bleus diante dos mexicanos.

- Estou triste pela França, porque a equipe não conseguiu criar sequer uma oportunidade de gol, e isso não basta para quem esperava algo de importante – analisou, em entrevista a um canal de televisão do México.

Zizou reconheceu a superioridade da seleção de Javier Aguirre e destacou a preparação física dos adversários dos europeus.
- O time esteve diante de um rival muito bom, que fez uma ótima partida. O México foi superior à França, sobretudo fisicamente. Nesta noite, o melhor venceu - concluiu.

A França volta a campo na terça-feira, quando enfrenta a África do Sul, com a obrigação de vencer e torcendo para que jaja um vencedor no duelo entre Uruguai e México para avançar no Mundial.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo

Condenado é executado por fuzilamento nos EUA

Ronnie Lee Gardner, de 49 anos, foi condenado por homicídio em 1985. Foi o primeiro fuzilamento no país nos últimos 14 anos.

O preso Ronnie Lee Gardner foi executado nesta sexta-feira (18) nos Estados Unidos por um pelotão de fuzilamento, método escolhido pelo próprio réu e que não era utilizado desde 1996 no país, informaram as autoridades penitenciárias.

Gardner, de 49 anos e condenado por assassinato, foi fuzilado na prisão estadual de Utah, nos arredores de Salt Lake City, às 0h20 pelo horário local (3h20 em Brasília), segundo o Departamento de Correcionais do estado.

Foi o primeiro fuzilamento nos EUA nos últimos 14 anos e o terceiro nos últimos 33 anos.

Gardner foi fuzilado por um grupo formado por cinco homens. Os tiros foram disparados contra o peito do condenado.

Gardner tinha sido condenado pelo assassinato do advogado Michael Burdell em 1985, quando tentou escapar durante uma audiência judicial na qual era acusado de roubo e de outro homicídio.

Nas horas que antecederam a execução, tanto a Suprema Corte dos EUA quanto várias cortes de apelação e até o governador do estado de Utah, Gary Herbert, negaram o perdão a Gardner.

Seus advogados tinham baseado suas solicitações de clemência ou adiamento da execução pelos problemas sofridos por Gardner durante sua juventude, quando foi vítima de abusos e de dependência às drogas, segundo disseram.

Também afirmaram que seu cliente foi tratado injustamente durante o julgamento em 1985 porque precisava de dinheiro para pagar uma defesa legal competente.

Andres Parnes, seu advogado na etapa final do processo, assinalou que, após 25 anos no corredor da morte, a execução de seu cliente era um castigo cruel e que era melhor que pagasse seus crimes em vida na prisão.

A execução por fuzilamento foi eliminada da lei deste estado, no noroeste dos EUA, em 2004, mas Gardner pôde escolher esse método por ter sido condenado à morte em 1985.

Ao decidir a forma de morrer, Gardner não teve a intenção de causar um drama ou uma controvérsia, segundo Parnes. "Ele escolheu o fuzilamento porque achava que era mais humano. Não foi uma questão de publicidade", garantiu o advogado.

O fuzilamento é o terceiro na história dos Estados Unidos desde que a Corte Suprema voltou a instaurar a pena capital em 1976. Os dois anteriores foram também em Utah, único estado que manteve a opção entre injeção letal e disparos até 2004, quando eliminou a lei pelas críticas e pelas expectativas e publicidade gerada por este tipo de execução.
 
Os outros dois fuzilados em Utah foram Gary Gilmore, em 17 de janeiro de 1977, e John Albert Taylor, em 26 de janeiro de 1996. Ao contrário de Gardner, Taylor decidiu morrer desta forma para envergonhar as autoridades.

Das 49 execuções que foram realizadas em Utah desde 1850, 40 foram por fuzilamento. Outros quatro presos dos dez que estão sentenciados à pena de morte neste estado também escolheram esta forma de execução.

Segundo números do Centro de Informação da Pena de Morte (CIPM), com a execução de Gardner já são 1.217 os condenados que foram mortos nos Estados Unidos desde que a Corte Suprema restabeleceu o castigo em 1976. Desse total, mais de um terço foi executado no Texas, o estado que mais aplica o castigo.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo

Ex-mulheres de Fábio Jr. dizem que ele passa a noite em claro

A principal reclamação feminina em relação ao cantor é que simplesmente ele não dorme no horário em que as pessoas costumam descansar. Mari Alexandre, Patricia de Sabrit e Leilah Moreno, três das ex de Fábio Jr., comentaram com amigos sobre o assunto e reclamaram bastante, dizendo que esse era um dos motivos que atrapalhava a relação.

Fora o resto... Elas podem até negar para não se comprometer, mas falaram, sim. A crise de Mari Alexandre e Fábio Jr. já vinha de algum tempo. O que segurou um pouco mais os dois juntos foi o fiho Zaion, de um ano e quatro meses.
O casamento durou quase três anos.

Fonte: http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/

“Cala boca Galvão!” vira fenômeno da Internet

O novo universo virtual produz fenômenos globais de massa, instantâneos e inusitados.

Desde a semana passada, o mundo se pergunta: o que é “CALA BOCA GALVÃO”?

Alguns brasileiros gaiatos postaram no micro-blog Twitter o bordão dos campos de futebol conhecido de todos nós “Cala boca Galvão”, o qual, como todos sabem, exprime a impaciência de muitos torcedores com o estilo de narração do nosso mais famoso comentarista esportivo, Galvão Bueno. Dizem que isso começou porque o Galvão não gosta dos times do Sul, mas a verdade é que é um fenômeno nacional. E, por algum insondável motivo, muita gente agora acha que ele diz um monte de bobagens: “Cala boca Galvão”, efetivamente, remete-se ao bom e velho “Cala boca Magda”, do seriado cômico “Sai de Baixo”, que caiu no gosto do povo. O texto da Magda era realmente muito bom.

Mas aí a turma logo se identificou e retwittou freneticamente o “Cala boca Galvão”. A brincadeira começou a ficar interessante quando o tema figurou entre os mais twittados no mundo todo. De fato, não tem preço os gringos se perguntando: o que é “Cala boca Galvão”?

Nossos gaiatos, então, contaram aos gringos que se tratava de uma campanha para salvar um pássaro da extinção - o Galvao Bird - cujas penas seriam utilizadas indiscriminadamente nos desfiles de carnaval. Inventaram até um bispo que estaria à frente da campanha. E aplicaram que, a cada novo twitt, dez centavos de dólar iriam para uma suposta conta bancária, criada por uma fictícia ONG, para salvar os coitadinhos dos pássaros: Help us Save Galvao Bird, dizia até um videozinho postado no YouTube: Save Galvao Birds Campaign

Os gringos caíram! E o “Cala boca Galvão” foi retwittado aos milhares. Tornou-se o tema mais falado no Twitter, despertando interesse geral, feito noticiado até nos blogs do New York Times. Veja aí o link: Tweets of Fictional Galvão Birds Echo Online

Na twittosfera, conta-se que o responsável por revelar aos gringos o verdadeiro significado do “Cala boca Galvão” foi o Paulo Coelho. Não faltou quem começasse a twittar, então, “Cala boca Paulo Coelho”.

O fenômeno evoca algumas breves considerações.

Vejam, em primeiro lugar, como uma simples frasezinha pode ganhar o mundo em curto espaço de tempo! Evidencia-se o quanto a sociedade civil pode forjar notícias, o que antes parecia ser apanágio, sobretudo, da mídia estabelecida, de grandes corporações, pessoas notáveis ou de governos.

É claro, impressiona, também, que uma causa desimportante e piadista seja capaz de tamanha mobilização. Reflexos desses tempos pós-modernos, em que a idiotia foi entronizada: se o BBB é fenômeno de audiência, o “Cala boca Galvão” pode virar notícia internacional.

Nota-se, além disso, o quanto na Internet coexistem essas duas potências: o global instantaneizado e a localização do glamour. Sim, porque salvo algumas estrelas globais, o glamour popular é local. A Internet, é, assim, também fronteirizada. Percebamos o destaque que ganham, neste contexto, o Brasil, os brasileiros e a língua portuguesa.

Por outro lado, é impagável o registro a propósito da idiotia das pessoas quando se trata de alguma suposta causa em defesa do meio ambiente: qualquer patuscada passa batido, tamanha a credulidade da massa internáutica. Ingenuidade que passa também pela disposição em acreditar que um twitt pode ser convertido em dinheiro destinado a uma conta bancária! Muitos caíram feito patos na história e sequer se deram ao trabalho de verificar a sua veracidade, se existiam ou não os Galvao Birds, se a tal ONG era real ou não.

Sim, a sociedade civil tem uma poderosa arma de mobilização nas mãos, no mundo atual. Mas, como mostra o cômico da situação, essa é também uma arma perigosa, vez que as pessoas parecem dispostas a acreditar em qualquer besteira. O episódio é mel na sopa dos que sustentam não passar a tese do aquecimento global de uma conspiração de cientistas militantes que acreditam os meios justificarem os fins.

Finalmente, resta observar como a Rede Glóbulo, sempre tão rapidinha para levar às telas esses fenômenos jocosos da Internê, abordará o “Cala boca Galvão”. Pois, afinal, se trata de um golpe, maroto, é verdade, sobre as grandes redes de jornalismo e transmissão.

Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/

Carbono 14 muda a história do Egito Antigo

Pesquisadores comparam idade de sementes e dados históricos e sugerem que as antigas dinastias são mais antigas do que se supunha

Thiago André, especial para o iG  

A cronologia das antigas dinastias egípcias acaba de ser refeita por pesquisadores europeus, a partir da análise combinada de dados de carbono 14 de plantas com relatos históricos de reis e rainhas sobre a ordem e a duração de seus reinados. Os resultados, que sugerem que alguns fatos aconteceram antes do previsto, oferecendo, por isso, informações inéditas para a literatura sobre o tema, foram publicados na revista Science.

O estudo foi desenvolvido por professores da Universidade de Oxford (Inglaterra), Université Paris VII-Diderot (França), Universidade de Haifa (Israel), Universität Wien (Áustria) e Cranfield University (Reino Unido). O método de datação utilizado tem como base o radioisótopo carbono-14 para determinar a idade de materiais de até 60 mil anos. Os pesquisadores coletaram medidas de radiocarbono de 211 espécies diferentes de plantas na região do rio Nilo, que estavam diretamente associadas ao cotidiano de antigos reis egípcios. As espécies analisadas estavam em forma de sementes, cestos, tecidos, caules e frutas.

Os radiocarbonos forneceram novas estimativas para os reinados caracterizados como Antigo (da 2ª a 8ª dinastia), Médio (da 11ª a 13ª dinastia) e Novo (17ª a 21ª dinastias). A modelagem dos dados fornece uma cronologia que se estende de 2691 a 1090 a.C. Os resultados sugerem, por exemplo, que o Novo Reinado começou em 1570 e foi até 1544 a.C. e que o reinado de Djoser, no Reino Antigo, durou de 2691 a 2625 a.C. Esses dois casos, segundo o trabalho, ocorreram antes do que outras previsões históricas haviam estimado.

O artigo aponta que, por milhares de anos, estudiosos se ocuparam em documentar os reinados dos vários governantes do Egito. Mas embora a cronologia que se tem nos dias de hoje é precisa em termos relativos, atribuir datas absolutas para eventos ocorridos na antiguidade é uma tarefa entendida como controversa pela ciência mundial. “As medições de radiocarbono fornecem uma cronologia coerente para o Egito antigo, que está bem próxima de algumas tentativas anteriores para revelar novos detalhes da história ocidental”, dizem os pesquisadores no artigo.

As datações por carbono-14 apontaram ainda que o Novo Reinado teria começado algumas décadas mais cedo que a data estimada por outros levantamentos, que afirmam que esse reinado teria começado em 1550 a.C. Ainda no Novo Reinado, o estudo mostra que o faraó Tutankamon, um dos mais conhecidos na cultura egípcia, teria reinado entre 1353 e 1331 a.C.

A nova cronologia do período Dinástico permite uma comparação direta com registros semelhantes de outros períodos do Egito, como o Pré-Dinástico. “A datação por carbono 14 tornou-se precisa o suficiente para restringir a história do antigo Egito em datas muito específicas", disse Christopher Ramsey, pesquisador do Laboratório de Arqueologia e História da Arte da Universidade de Oxford. “As informações desse novo estudo servirão como pré-requisito para a compreensão da velocidade e dos mecanismos de formação de todo o Estado Egípcio.”

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/

TSE decide que Ficha Limpa vale para condenados também antes da sanção

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu ontem, por 6 votos a 1, que os políticos condenados por órgãos colegiados antes de sancionada a Lei da Ficha Limpa também estão inelegíveis. As mudanças na lei, portanto, não valem somente para aqueles políticos que forem condenados a partir da sanção e publicação da norma, em 7 de junho deste ano.
 
Na lista dos barrados em decorrência dessa decisão do TSE está, por exemplo, o deputado Paulo Maluf (PP-SP), condenado por improbidade administrativa. Além dos casos de condenação, a lei vale também para os parlamentares que renunciaram ao mandato para evitar processos de cassação por quebra de decoro. Esta lista é extensa: o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, o ex-senador Joaquim Roriz (PSC) e os ex-deputados distritais Junior Brunelli e Leonardo Prudente, flagrados recebendo dinheiro do chamado "mensalão do DEM".

Os ministros indicaram que não poderá haver aumento da sanção para os políticos que foram condenados definitivamente no passado pela Justiça Eleitoral. Antes, a pena de inelegibilidade era de 3 anos. Com a nova lei, passou para 8 anos. Nessa situação estão políticos cassados recentemente pelo TSE, como os ex-governadores Jackson Lago (Maranhão), Cássio Cunha Lima (Paraíba) e Marcelo Miranda (Tocantins). No entanto, como os ministros não decidiram especificamente sobre essa questão, os três ex-governadores ainda podem se tornar inelegíveis.

Na raiz desse julgamento está uma mudança de última hora feita pelo Senado no texto da lei aprovado pela Câmara. Uma emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) alterou o projeto para dizer que aqueles "que forem" condenados e não os que "tenham sido" condenados estariam inelegíveis. Os senadores aprovaram o texto com essa mudança e passaram a entender que apenas políticos condenados após a sanção e publicação da lei estariam inelegíveis. Alegavam que a lei não poderia retroagir para prejudicar os políticos.

Em consulta ao TSE, o deputado Ilderlei Cordeiro (PPS) perguntou qual era o entendimento da Justiça Eleitoral. O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, chegou a consultar um professor especialista em semântica e concluiu que os condenados antes da lei poderiam ser barrados.

Situação. "Não se trata de retroatividade de norma eleitoral. Mas de sua aplicação aos registros de candidatura futuros. A causa de inelegibilidade incide sobre a situação do candidato no momento do registro da candidatura", afirmou, durante o julgamento o relator da consulta, ministro Arnaldo Versiani.

O ministro rejeitou também o argumento de que a lei estaria impondo uma pena, que seria a inelegibilidade, a pessoas que ainda não foram condenadas definitivamente pela Justiça. "Quando se trata de inelegibilidade ninguém está sendo considerado culpado do que quer que seja", disse Arnaldo Versiani. "Como a inelegibilidade não constitui pena não significa que esteja se antecipando o cumprimento de uma eventual pena."

Para justificar esse entendimento, o ministro lembrou que alguns grupos são inelegíveis, como os juízes e parentes de políticos. Versiani disse que a inelegibilidade não precisa ser imposta na condenação. "A condenação é que, por si, acarreta a inelegibilidade", afirmou. "No caso da inelegibilidade, o que se busca é a proteção da sociedade", disse a ministra Cármen Lúcia. "Como não é pena, não há retroação."

Marco Aurélio Mello votou contra. "Aprendi desde cedo que no sistema brasileiro o direito posto visa a evitar que o cidadão tenha sobre a sua cabeça uma verdadeira espada de Dâmocles. Aprendi que a lei não apanha fatos passados", afirmou. 

Fonte: http://www.estadao.com.br/brasil/

Morre aos 87 anos escritor português José Saramago

GABRIEL BUENO - Agência Estado

O escritor português José Saramago morreu hoje aos 87 anos. Ele deixa um legado de opiniões fortes e uma vasta obra literária. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, primeiro escritor de língua portuguesa a obter a honraria, Saramago mostrou ao longo de sua vida uma paixão duradoura pela literatura.
 
Seus livros são marcados pelos períodos longos e pela pontuação em muitos momentos quase inexistente. Os artifícios formais são vistos como verdadeira barreira para vários leitores, mas outros se encantam com a fluidez de seus textos, sempre entremeados por reflexões fortemente humanistas.

Nascido em 16 de novembro de 1922, numa aldeia do Ribatejo chamada Azinhaga, de família humilde, Saramago só veio a produzir sua primeira obra de sua fase mais madura em 1980, "Levantado do Chão". Dois anos depois, "Memorial do Convento" o colocou como um dos maiores autores de Portugal, posição confirmada com o lançamento do inventivo "O ano da morte de Ricardo Reis", em que narra os dias finais do heterônimo de um dos pilares da literatura de seu país: Fernando Pessoa, em uma criativa mescla de fatos reais e imaginados.

Saramago era um autor prolífico. Além de romances, publicou diários, contos, peças, crônicas e poemas. Ainda em 2009, lançou mais um livro, "Caim".

Esta obra retoma um personagem bíblico, subvertendo a versão oficial da Igreja Católica. Em 1991, seu "Evangelho segundo Jesus Cristo" dispôs de artifício semelhante. A "reescrita" do ateu convicto de esquerda não agradou aos religiosos, provocando grande polêmica em uma nação fortemente católica. No ano seguinte, o livro foi indicado a um prêmio, mas o governo português vetou a candidatura. Insatisfeito, Saramago partiu para um "exílio voluntário" na espanhola Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde vivia desde 1993.

Outro de seus romances, "Ensaio sobre a cegueira", narra uma epidemia em que os personagens perdem a visão, enquanto uma mulher a mantém. A obra, uma das mais conhecidas do português, foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor brasileiro Fernando Meirelles. O filme foi exibido no Festival de Cannes.

Saramago não se furtava a emitir opiniões, seja em seus livros, seja em entrevistas. Em 2008, afirmou que era um "comunista hormonal". Ao mesmo tempo, desferia duras críticas à esquerda, que "não pensa nem atua", segundo declaração dele do mesmo ano.

Vão-se as polêmicas, fica a obra. O crítico Harold Bloom qualificou-o como "o escritor de romances mais dotado de talento dos que seguem com vida, um dos últimos titãs de um gênero em vias de extinção". A citação consta do prefácio de "O Caderno", assinado pelo italiano Umberto Eco, reproduzido pelo site do jornal espanhol "El País".

Neste "Caderno", Saramago reúne texto publicados inicialmente em seu blog. No prefácio, Eco notava que, apesar de já ser fartamente consagrado, Saramago ainda se dispunha a escrever suas reflexões sobre o mundo na internet e a dialogar com os leitores.

No mesmo texto, o pensador italiano lista alguns dos temas presentes na obra de Saramago: os grandes problemas metafísicos, a realidade e a aparência, a natureza e a esperança, e como são as coisas quando não as estamos olhando. Eco arrisca ainda uma entre as muitas definições possíveis para Saramago: um "delicado tecedor de parábolas". 

Fonte: http://www.estadao.com.br/cultura/