quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Neurologistas acidentalmente desconectam consciência de paciente

Um relatório muito interessante de um grupo de neurocirurgiões franceses lança luz sobre a base neural da consciência e dos sonhos. Guillaume Herbet e seus colegas descrevem o caso de um homem de 45 anos de idade no qual a estimulação elétrica de um ponto específico no cérebro “induziu uma alteração dramática da experiência consciente de uma maneira altamente reprodutível”.
O paciente tinha câncer no cérebro (um glioma difuso de baixo grau no hemisfério posterior esquerdo). Durante a cirurgia para remover o tumor, Herbet e sua equipe estimularam vários pontos de seu cérebro para mapear as áreas que eram funcionalmente mais importantes. Este é um procedimento padrão que permite que os cirurgiões saibam que pontos devem tentar deixar intactos.
A maioria dos estímulos não teve muitos efeitos, porém, em um ponto particular, na massa branca por baixo do córtex cingulado posterior (CCP) esquerdo, o pulso elétrico levou o paciente a parar de responder – a “se desligar”, essencialmente – por alguns segundos. As imagens abaixo ilustram este ponto, marcado como “S1” (a pequena mancha azul), e a parte que acabou sendo retirada na cirurgia, a zona vermelha do lado esquerdo.
Ao recuperar a consciência após a estimulação, o paciente relatou que tinha estado “em um sonho”. Três estímulos da mesma área produziram três devaneios, contam os pesquisadores. “Surpreendentemente, ele se descreveu retrospectivamente como em um sonho, fora da sala de cirurgia, e foi capaz de fugazmente relatar suas experiências subjetivas. Com a estimulação 1 ele disse: ‘Eu estava num sonho, havia um sol’; na estimulação 2: ‘Eu estava sonhando, estava na praia’, e na estimulação 3: ‘Eu estava em um sonho, cercado por uma paisagem branca'”, listam. “Nenhum lugar no espaço anatômico circundante provoca esta manifestação”.
Ainda que a visão de sóis e praias não pareça constituir o pesadelo de muita gente, o paciente disse que estes sonhos eram, na verdade, absurdamente horríveis. Segundo o relato, apenas a menção de tais eventos já era associada a uma descarga emocional muito forte, incluindo choro e tremores. “Eu não me lembro, eu não quero lembrar”, dizia o homem.
Para os estudiosos, isto significa que “perturbar a conectividade subcortical do córtex cingulado posterior esquerdo induziu de forma confiável um colapso na experiência consciente”. Isto se encaixa perfeitamente com a teoria de que o CCP – um “líder” da rede neural – é fundamental para despertar a consciência. Contudo, o estranho é que uma grande parte dele não foi apenas interrompida, mas permanentemente cortada, e isto não destruiu a consciência do paciente.
Apesar disso, o homem relatou não ter experimentado nenhum pensamento negativo por quase um mês após a cirurgia. “Ele descreveu a si mesmo em uma espécie de estado contemplativo, com uma sensação subjetiva de felicidade absoluta e de atemporalidade”, conta o estudo.
Tal situação soa quase como uma iluminação espiritual, mas só durou um mês. Depois deste período, aparentemente ele teria voltado mais ou menos à consciência normal – ainda que o pedaço do CCP não tenha voltado a fazer parte de seu cérebro.
É… O curioso relato parece levantar mais perguntas do que respostas.
Fonte: http://blogs.discovermagazine.com/neuroskeptic/

Encontrados cristais com 4,4 bilhões de anos

A ciência é tão incrível que nada é aceito de bandeja. Se alguma coisa é o que parece ser, então deve existir alguma prova de que é realmente é o que parece ser.
Por isso, quando os cientistas encontraram alguns cristais minúsculos na Austrália Ocidental, em 2001, e disseram que a estrutura tinha algo em torno de 4,4 bilhões de anos e, portanto, provavelmente seria o cristal mais antigo de jamais encontrado, essa informação cheia de arredondamentos e hipóteses não foi suficiente para a comunidade científica. O que é natural.
Todo mundo precisava de provas, inclusive os que descobriram essa pedra histórica.
Desde então, essa se tornou a missão da vida deles, e, com muita satisfação, já podemos afirmar: foi devidamente cumprida!
Com a ajuda de um novo e poderoso equipamento que consegue “arrancar” e identificar átomos individualmente e criar uma espécie de mapa de sua distribuição dentro do cristal, os cientistas conseguiram provar que os cristais encontrados têm precisamente 4,374 bilhões de anos, com uma margem de erro de 6 milhões de anos para mais ou para menos.

Quem procura (muito) acha

Parece que essa frase foi construída junto com os cristais, há bilhões de anos atrás, mas ela é a que melhor se encaixa para essa situação. Afinal de contas, a equipe de geólogos liderada por John Valley encontrou esses pedacinhos de cristais dentro de arenitos que, um dia, há 3 bilhões de anos, foram uma praia.
Esses cristais são tão velhos que podem nos contar um pouco mais sobre a história do nosso mundo. Para Sam Bowring, geologista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, nos EUA), o fato de termos em mãos algo que se formou tão pouco tempo após o surgimento do sistema Terra-Lua significa que os cientistas estão prestes a tapar um buraco na parte da história do planeta que não foi preservada.
“Agora, nós estamos falando de uma história deste planeta que remonta a quase o dia em que ele nasceu”, completa Bowring.
O que, realmente, é de impressionar qualquer um.
Fonte: http://www.npr.org/

Como seria viajar para o centro da galáxia: vídeo

Os cientistas creem que a maioria dos centros galácticos abriga buracos negros com milhões de vezes a massa do nosso sol.
Enquanto os buracos negros supermassivos são, como o nome sugere, buracos sugadores enormes mais parecidos com “nada”, os espaços em torno deles são muito vivos, tanto que toda a classe de objetos desta região ganha o revelador título de Núcleo Ativo de Galáxia (NAG).
O vídeo acima ilustra como um núcleo galáctico ativo se parece de perto. Um NAG típico geralmente gera discos de acreção maciços que alimentam o buraco negro central, bem como poderosos jatos elétricos que são liberados para o universo circundante. As nuvens de gás e poeira em órbita de buracos negros centrais são tão densas que ofuscam intermitentemente raios-X poderosos que caso contrário chegariam à Terra.
Toda essa atividade colorida nos faz querer conferir o fenômeno belo por conta própria, mas estamos seguros em nossa casa, com esse vídeo incrível para alimentar nossa imaginação.

Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/

Descobertas NASA: revelado o mistério de como as estrelas explodem


Um dos maiores mistérios da astronomia foi finalmente desvendado pela NASA. E a incrível descoberta de como as estrelas explodem em supernovas só foi possível porque a agência norte-americana contou com a ajuda de um equipamento nada menos que incrível: o telescópio NuSTAR (sigla para “Nuclear Spectroscopic Telescope Array”).
A observação de raios-X de alta energia criou o primeiro mapa de material radioativo remanescente de uma supernova. Esse material, que recebeu o nome de Cassiopeia A (ou Cas A – apelido mais carinhoso), revelou como as ondas de choque provavelmente desmembram as estrelas que estão morrendo.

A descoberta

Como estrelas são bolas esféricas de gás, o normal seria supormos que a explosão aconteceria como uma bola uniforme expandindo com muita força. Mas não é bem assim que a coisa toda funciona.
Segundo Fiona Harrison, a pesquisadora principal do NuSTAR no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), localizado em Pasadena (EUA), os “novos resultados mostraram como o coração da explosão é distorcido, porque as regiões interiores literalmente se batem dentro da estrela antes de detonarem”.

O NuSTAR

NuSTAR é o primeiro telescópio capaz de produzir mapas de elementos radioativos em remanescentes de supernovas. No caso da Cas A, o elemento é o titânio -44, que tem um núcleo instável produzido no centro da estrela em explosão. O mapa que o NuSTAR fez da Cas A mostra o titânio concentrado no centro do remanescente em blocos, e aponta para uma possível solução para o mistério de como a estrela encontra seu fim.
O remanescente de supernova (vermelho e verde) fornecendo os primeiros mapas de material radioativo forjado na explosão de fogo (azul)

Isso porque quando os pesquisadores simulam explosões de supernovas em computadores, a principal onda de choque frequentemente falha em “quebrar” a estrela. Mas as novas descobertas sugerem fortemente que a estrela explode ao redor de si mesma, re-energizando a onda de choque e permitindo que, finalmente, a estrela exploda suas camadas exteriores.
Com o NuSTAR, considerado uma nova ferramenta forense para investigar explosões, é possível ver uma imagem mais completa do que os pesquisadores viam antes. Tanto que o mapa apresentado pelo telescópio também lançou dúvidas sobre outros modelos de explosões de supernovas, como a que a estrela está girando rapidamente, pouco antes de morrer, e lança jatos estreitos de gás que levam à explosão estrelar. Apesar de impressões de jatos já terem sido vistas antes em torno da Cas A, não se sabia ao certo se eles eram o estopim da explosão.
No NuSTAR, o titânio não foi visto. Essencialmente, o que o equipamento mostrou foram cinzas radioativas provenientes da explosão em regiões estreitas que coincidem com os jatos de gás – logo, esses jatos não poderiam ter sido o gatilho da explosão.
“É por isso que nós construímos o NuSTAR, para descobrir coisas que nunca soubemos, e não esperávamos, sobre o universo de alta energia”, disse Paul Hertz, diretor de astrofísica da NASA.
Incrível como uma estrela que raiou no nosso céu a séculos continua sendo fonte de descobertas.
Fonte: http://www.nasa.gov/jpl/nustar/

Vida pode ter surgido dez bilhões de anos antes do que pensávamos

50 anos atrás, dois jovens astrônomos do Bell Laboratories apontaram sua antena de 6 metros em forma de chifre para o céu sobre Nova Jersey (EUA), com objetivo de medir a Via Láctea, galáxia que abriga o planeta Terra.
Para sua perplexidade, Robert W. Wilson e Arno A. Penzias ouviram um assobio insistente de sinais de rádio vindo de todas as direções e de além da Via Láctea.
Demorou um ano inteiro de testes para que eles e um outro grupo de pesquisadores da Universidade de Princeton (EUA) explicassem o fenômeno: foi descoberta a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, um resíduo da explosão primordial de energia e matéria que deu origem ao universo, cerca de 13,8 bilhões de anos atrás.
Os cientistas haviam finalmente encontrado evidências que confirmavam a teoria do Big Bang, proposta inicialmente por Georges Lemaître em 1931.
Avi Loeb era apenas uma criança em uma fazenda em Israel quando Wilson e Penzias começaram a investigar esses sinais misteriosos. Hoje, ele é colega de Wilson no Centro de Astrofísica e presidente do departamento de astronomia da Universidade de Harvard (EUA), e um dos principais pesquisadores do mundo sobre o que tem sido chamado de “madrugada cósmica”.
O físico teórico, agora 52 anos, publicou mais de 450 trabalhos sobre aspectos do início do universo, incluindo a formação de estrelas e galáxias e as origens dos primeiros buracos negros. Ele tem feito um trabalho pioneiro no mapeamento tridimensional do universo, e já analisou as implicações da colisão iminente entre a Via Láctea e a galáxia de Andrômeda (que não vai acontecer antes de vários bilhões de anos, pode relaxar de novo em sua cadeira).
E Loeb agora quer explorar uma ideia ainda mais provocante: recentemente, em um artigo submetido à revista Astrobiology, ele sugeriu que, apenas 15 milhões de anos após o Big Bang, a temperatura da radiação cósmica de fundo era de 0 a 30 graus Celsius, quente o suficiente para permitir que água líquida existisse na superfície de planetas, se algum já estivesse rodando pelo espaço na época, sem precisar do calor de uma estrela.
Assim, a vida no universo poderia ter começado já naquele momento. Isso é particularmente impressionante porque as primeiras evidências de vida na Terra tem apenas 3,5 bilhões de anos. A proposição de Loeb acrescentaria cerca de dez bilhões de anos para essa linha do tempo da vida no universo.
“Eu tenho tentado entender o início do processo antes de a Via Láctea e suas estrelas serem formadas“, disse Loeb. “Acontece que as primeiras estrelas eram mais massivas que o sol e as primeiras galáxias menores do que a Via Láctea. Este período é interessante porque é a versão científica da história do Gênesis. Eu não quero ofender as pessoas religiosas, mas o primeiro capítulo da Bíblia precisa de revisão – a sequência de eventos precisa ser modificada. É verdade que houve um início no tempo. Como na história bíblica, ‘Haja luz’, mas esta luz pode ser pensada como a radiação cósmica de fundo”, brinca o cientista.
Se já acreditamos massivamente em alienígenas agora, quem dirá se ficar provado um dia que já havia vida no universo bilhões de anos mais cedo do que pensávamos. Ou Loeb está errado, ou os ETs são muito bons em se esconder (e, vamos assumir, espaço para isso não falta).
Fonte: http://www.smithsonianmag.com/smithsonian-institution/

Uma experiência que pode nos deixar controlar eventos que ocorreram há milhões de anos

Você já ouviu falar do experimento da dupla fenda?
Famoso em escolas nas aulas de física, é geralmente feito em segundos. Mas uma versão idealizada pelo físico John Archibald Wheeler poderia ser rodada ao longo da galáxia por milhões de anos, e sugere que poderíamos retroativamente determinar o destino de fótons antigos.

A experiência

Uma fonte de luz, uma barreira e uma parede traseira. Na barreira há duas fendas. Os fótons provenientes da fonte de luz podem passar através dessas fendas.
Sabemos o que vai acontecer quando uma sucessão de fótons individuais atingir a parede de trás. Um padrão muito pequeno de onda vai surgir, como se os fótons estivessem passando por ambas as fendas e interferindo uns com os outros como uma onda faria.
Mas os fótons não podem passar pelas duas fendas. Para verificar qual eles passam, nós colocamos detectores nas duas fendas. Quando deixamos um fóton passar, notamos com prazer presunçoso que ele passa pela fenda esquerda. O próximo passa pela esquerda novamente, o próximo através da direita, e assim por diante, até chegarmos a um número meio igual de fótons que passaram pela esquerda e pela direita.
Quando checamos a parede do fundo, não entendemos nada – em vez do padrão de onda, encontramos uma pilha de fótons na esquerda e uma pilha na direita, como se fossem bolas atiradas por uma fenda ou outra.
Isso porque interferimos com os fótons à medida que eles passaram através das fendas (com os detectores) e isso colapsou o padrão de onda.
Faz sentido. Mas e se não interferíssemos com os fótons em seu caminho através das fendas?

Interferência da interferência

Esse foi o raciocínio do físico John Archibald Wheeler. Em meados do século XX, ele pensou em uma variação do experimento da dupla fenda.
E se ao longo da parede traseira houvesse uma tela, e por trás da tela ficassem os detectores? A tela ficaria parada quando o fóton fosse lançado a partir da fonte de luz. Permaneceria assim conforme ele passasse através da fenda. Somente depois disso ela seria ligada ou não, para detectar por qual ele passou. Nesse caso, a tela (tecnicamente) não ia poder interferir com o processo, porque ele já teria acontecido.
Mas interferiu.
O novo experimento, batizado de Atraso de Escolha, mostrou que, quando a tela estava desligada e ninguém conseguia detectar por qual fenda os fótons haviam passado, eles formavam um padrão de onda. Quando a tela estava ligada, esses padrão não era visto.

Consequências esperadas

Wheeler sabia que isso iria acontecer. O experimento foi feito apenas para fazer as pessoas pensarem sobre o que ele significava, ou seja, que uma escolha feita no presente poderia determinar eventos do passado.
Embora pareça ridículo, há uma lógica para isso. Você escolhe apertar um botão para ligar algo e uma série de eventos acontece; você escolhe não o ligar e uma série de eventos diferente acontece. Ou seja, ligar ou não algo é uma causa que tem um efeito.
Para mostrar que o experimento não era resultado de algum defeito de laboratório, Wheeler propôs o mesmo exercício de pensamento em uma escala muito, muito maior.
Imagine uma estrela distante que emite luz. Entre a estrela e a Terra fica uma galáxia, mas, em vez de bloquear a luz, ela desvia a luz em direção à Terra, dobrando-a de duas formas diferentes.
Um único fóton emitido da estrela pode tomar um de dois caminhos, à esquerda ou à direita da galáxia.
Os fótons fariam o seu caminho até a Terra, e poderíamos observá-los. Poderíamos saber exatamente de onde eles vieram, ou poderíamos deixar de ver por qual lado da galáxia eles passaram.
Os mesmos resultados vistos em laboratório iriam ocorrer – veríamos um padrão de onda, se não verificássemos a origem exata dos fótons, e nenhum padrão, se verificássemos.
O interessante é que esses fótons teriam feito a “escolha” entre um dos caminhos milhões ou bilhões de anos atrás. Não haveria nenhuma maneira pela qual poderíamos ter interferido com isso.
E, no entanto, se os quiséssemos medir, teríamos “determinado” se eles passaram por um caminho, ou outro, ou possivelmente ambos.
Isso significa que podemos definir, agora, eventos que aconteceram há milhões de anos?

Não

A maioria dos físicos crê que não, isso não é possível. Esqueçam a tão sonhada viagem no tempo, pois ela implica um monte de coisa que não existe, como retrocausalidade (fenômenos ou processos hipotéticos capazes de inverter a causalidade, permitindo que um efeito preceda a sua causa).
Ao invés disso, os estudiosos argumentam que devemos pensar no experimento da dupla fenda como uma superposição de estados. O fóton é colocado em ambos os estados quando passa pelas fendas ou em torno da galáxia, e permanece em ambos os estados até que seja medido.
Em outras palavras, a onda se colapsa quando o fóton é medido. Esta ideia é apoiada por qualquer versão do experimento da dupla fenda, sendo a escolha de medir o fóton tendo sido feita antes ou muito tempo depois de ele ter sido emitido. 
Fonte: http://io9.com/

Produtos químicos das embalagens de alimentos estariam nos matando lentamente?

Segundo cientistas ambientais, os produtos químicos sintéticos utilizados nas embalagens, no armazenamento e no processamento de alimentos podem ser prejudiciais para a saúde humana a longo prazo.
O artigo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health afirma que a maioria dessas substâncias não são inertes e podem contaminar os alimentos que comemos.
Alguns destes produtos químicos são regulados, mas as pessoas que comem alimentos embalados ou processados podem ser cronicamente expostas a baixos níveis destas substâncias ao longo de suas vidas e muito pouco se sabe sobre seu impacto a longo prazo, incluindo em fases cruciais do desenvolvimento humano, como no útero.
Agentes tóxicos conhecidos como o formaldeído, uma substância que causa câncer, são legalmente utilizados nestes materiais. O formaldeído é amplamente presente, ainda que em níveis baixos, em garrafas de plástico usadas para conter refrigerantes, por exemplo.
Outros produtos químicos conhecidos por interromperem a produção de hormônios também aparecem em produtos da indústria alimentar, incluindo bisfenol A, tributilteno, triclosan e ftalatos.
O número total de substâncias químicas conhecidas utilizadas intencionalmente na embalagem, armazenamento, tratamento ou equipamentos de preparação de alimentos excede 4.000.
“Enquanto a ciência debate sobre o perigo de algumas dessas substâncias, os políticos lutam para satisfazer as necessidades das partes interessadas, e os consumidores permanecem expostos a esses produtos químicos diariamente, a maioria sem saber”, apontam os autores do artigo.
Os cientistas admitem que estabelecer o que a exposição ao longo da vida e em grande parte invisível a essas substâncias nos causa não é uma tarefa fácil, principalmente porque não existem populações não expostas a elas para fazermos uma comparação, e podem haver amplas diferenças em níveis de exposição entre os indivíduos e através de certos grupos da população.
Mas eles alertam que algum tipo de avaliação e biomonitoramento são urgentemente necessários, a fim de identificar quaisquer possíveis ligações entre produtos químicos em contato com alimentos e condições crônicas como câncer, obesidade, diabetes e distúrbios inflamatórios e neurológicos, sobretudo levando em conta o papel conhecido de poluentes ambientais.
Fonte: http://medicalxpress.com/

Teoria da origem da vida é desafiada: eles não precisavam de oxigênio para evoluir

A origem da vida complexa é um dos maiores mistérios da ciência. Como as primeiras células primitivas evoluíram para a diversidade de formas de vida avançadas que existem na Terra hoje?

Teoria da origem da vida

A explicação científica mais comum é: oxigênio. A vida complexa evoluiu porque os níveis atmosféricos de oxigênio começaram a subir, 630 a 635 milhões de anos atrás.
No entanto, de acordo com um novo estudo da Universidade do Sul da Dinamarca, essa explicação deve ser reconsiderada.
Os pesquisadores descobriram que animais como a esponja-do-mar podem viver e crescer mesmo com suprimentos de oxigênio muito limitados.
“Nossos estudos sugerem que a origem dos animais não foi impedida por baixos níveis de oxigênio”, explica um dos coautores, Daniel Mills.
Por bilhões de anos, a vida só consistia em formas unicelulares simples. O surgimento de animais coincidiu com um aumento significativo de oxigênio atmosférico, portanto parecia óbvio vincular os dois eventos e concluir que o oxigênio levou a evolução para formas mais complexas.
“Mas ninguém havia testado de quanto oxigênio os animais realmente precisavam. Pelo menos não que eu saiba. Por isso, decidi descobrir”, afirma Mills.
Juntamente com Lewis M. Ward, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA), ele coletou esponjas-do-mar da espécie Halichondria panicea, já que as esponjas são os animais vivos que mais se assemelham aos primeiros animais na Terra.
“Quando colocamos as esponjas em nosso laboratório, elas continuaram a respirar e crescer mesmo quando os níveis de oxigênio atingiram 0,5% dos níveis atmosféricos dos dias atuais”, concluiu o pesquisador.
Isso é mais baixo do que os níveis de oxigênio que pensávamos ser necessários para a vida animal.
A grande questão que fica é: se baixos níveis de oxigênio não evitaram que os animais evoluíssem, então o que causou a demora? Por que a vida foi formada apenas de bactérias unicelulares e amebas por bilhões de anos antes de, de repente, explodir e a vida complexa surgir?
“Deve ter havido outros mecanismos ecológicos e evolutivos em jogo. Talvez a vida microbiana permaneceu por tanto tempo porque demorou para desenvolver a máquina biológica necessária para a construção de um animal. Talvez organismos multicelulares complexos sejam simplesmente difíceis de evoluir”, sugere Mills. 
Fonte: http://phys.org/

Astrônomos descobrem o que pode ser a estrela mais antiga conhecida

Quando o assunto é astronomia, estamos acostumados com números inimagináveis, seja ao falarmos de tempo, distância, tamanho ou massa. Agora, estamos prestes a conhecer mais um destes valores grandes demais para fazer algum sentido para nós, já que astrônomos descobriram o que parece ser uma das mais antigas estrelas conhecidas no universo.
De acordo com cientistas da Universidade Nacional da Austrália (ANU, na sigla em inglês), a estrela anciã foi formada não muito tempo depois do Big Bang, há cerca 13,8 bilhões de anos. Os pesquisadores ainda não sabem determinar a idade exata do astro, mas acreditam que deva ser aproximadamente 400 milhões de anos mais velha que uma estrela identificada recentemente por uma equipe de europeus e norte-americanos.


    Batizada com o complicado nome SMSS J031300.362670839.3, ela está localizada a 6 mil anos-luz da Terra e teria sido formada a partir dos restos de uma estrela primordial, que era 60 vezes mais massiva que o sol. Assim, a estrela anciã faria parte da segunda geração de estrelas do universo. A descoberta foi publicada na revista “Nature”.
    A novidade deve ajudar os cientistas a compreender melhor as origens do universo, já que estrelas são como cápsulas do tempo, e podem auxiliar até mesmo na resolução de discrepâncias entre observações e especulações a respeito do Big Bang. “O que estamos vendo é a origem de onde veio todo o material que nos rodeia, de tudo precisamos para sobreviver”, afirma o principal autor do estudo, Stefan Keller, da Escola ANU de Pesquisa em Astronomia e Astrofísica.
    “Esta é a primeira vez que fomos capazes de dizer de forma inequívoca que encontramos a impressão digital química de uma das primeiras estrelas”, disse em um comunicado à imprensa. “Este é um dos primeiros passos para entender como eram essas primeiras estrelas”, continua.
    Keller e sua equipe descobriram que a estrela tem uma composição inesperada. Os astrônomos pensavam que as estrelas primordiais – como aquela que deu origem à SMSS J031300.362670839.3 – morreram em grandes explosões de supernovas que espalharam grandes quantidades de ferro em todo o espaço. No entanto, as novas observações mostraram que a composição da estrela anciã não abriga ferro. Em vez disso, é composta por elementos mais leves, como o carbono.
    “Isso indica que a explosão da supernova da estrela primordial tinha níveis surpreendentemente baixos de energia”, aponta Keller. “Embora tenha sido o suficiente para desintegrar a estrela primordial, quase todos os elementos pesados, tais como ferro, foram consumidos por um buraco negro que se formou no centro da explosão”.
    Os cientistas também descobriram que a composição da estrela é muito diferente do nosso sol. “Para fazer uma estrela como o nosso sol, você pega os ingredientes básicos de hidrogênio e hélio que vieram do Big Bang e adiciona uma quantidade enorme de ferro – o equivalente a cerca de mil vezes a massa da Terra”, conta Keller. “Para fazer esta estrela antiga, você não precisa de mais do que um asteroide de ferro do tamanho da Austrália e um monte de carbono. É uma receita muito diferente, o que nos diz bastante sobre a natureza das primeiras estrelas e como elas morreram”.
    A astrônoma do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA) Anna Frebel explica que, devido a sua baixa massa, a estrela, localizada na Via Láctea, tem uma vida útil longa, ao contrário das estrelas primordiais que, por terem uma massa muitíssimo elevada, viveram de forma intensa e morriam jovens.
    Keller e sua equipe descobriram a SMSS J031300.362670839.3 usando o telescópio SkyMapper, da ANU. O SkyMapper está examinando o céu no Observatório Siding Spring, na Austrália, para produzir o primeiro mapa digital do céu do hemisfério sul. Eles confirmaram suas observações usando o telescópio Magellan, no Chile.
    Fontes: http://online.wsj.com/
                 http://www.livescience.com/
                 http://www.reuters.com/

    Superburaco negro impediu a formação de trilhões de estrelas


    Imagine um grupo de galáxias tão imenso, que sua massa se compare a um quadrilhão de vezes a massa do nosso sol — um grupo tão massivo que brilha intensamente na faixa do raio-X. Imagine que este grupo esteja dentro de uma nuvem de gás tão quente que emite luz na faixa do ultravioleta. E imagine uma imensa galáxia elíptica no centro do aglomerado, contendo um buraco negro tão imenso e tão poderoso que impede a formação de um trilhão de estrelas.

    O Superburaco negro existe!

    Pare de imaginar. É esta imagem que você tem acima. Em púrpura, a enorme bolha de gás. As partes escuras são os buracos criados pelo buraco negro, com cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro — o tamanho da nossa Via Láctea. Estes buracos emitem ondas de choque poderosas, que podem estar impedindo a formação de novas estrelas.
    O nome do grupo de galáxias na foto é RX J1532.9+3021 (mas pode chamar de RX J1532), e está a cerca de 3,9 bilhões de anos da Terra. A imagem é uma combinação de fotos do telescópio de raio-X Chandra, mostrando o gás quente em púrpura, e uma foto feita pelo Telescópio Espacial Hubble, mostrando as galáxias em amarelo.
    Agora, o mistério. O gás deveria esfriar com o tempo, e a região central, mais densa, deveria esfriar mais rapidamente e ser incorporada pela galáxia, formando novas estrelas, trilhões delas. Mas não é isto que está acontecendo.
    Mesmo em outros aglomerados de galáxias, como o aglomerado Fênix, a formação de novas estrelas é intensa. O que está parando RX J1532?
    Enormes disparos de rádio criaram buracos na nuvem de gás, empurrando-o para os lados. As ondas de choque causadas pela expansão das cavidades reverberam por toda a nuvem e impedem que a mesma esfrie, e forme novas estrelas.
    Com tanta coisa acontecendo, os astrônomos criaram uma hipótese para explicar tudo – o buraco negro não é apenas supermassivo, é ultramassivo, ou seja, tem uma massa superior a 10 bilhões de massas solares. Um buraco negro tão imenso é capaz de produzir jatos altamente energéticos usando bem pouca matéria.
    Outra hipótese é que o buraco negro nem é tão imenso assim – teria cerca de um bilhão de massas solares, mas estaria girando extremamente rápido. Mesmo assim, seria um buraco negro extremamente massivo.
    E os mistérios ainda não acabaram. Há um buraco na nuvem de gás que está desalinhado com os polos do buraco negro. Por quê? Os astrônomos acham que a nuvem de gás pode ter um movimento próprio em torno do buraco negro, ou então o buraco negro a está “balançando” como um pião.

    Fonte: https://hypescience.com/categoria/astronomia/