Se você fosse capaz de viajar à velocidade da luz (300.000 km/s),
levaria quase 200 anos para atravessar a IC 1805, mais conhecida como
“Nebulosa Coração” (Heart Nebula). Partindo da Terra, aliás, levaria
pelo menos 7,5 mil anos para chegar lá.
Formada por gás interestelar e nuvens de poeira cósmica, a Nebulosa
Coração é o berço do conjunto de estrelas Mellote 15, que tem “apenas”
1,5 milhões de anos de idade. Curiosamente, ela fica localizada na
constelação de Cassiopeia, nomeada em referência a uma rainha que, na
mitologia grega, comparou a própria beleza à das filhas de Poseidon e,
como punição, teve de oferecer sua filha (Andrômeda) em sacrifício para
aplacar a ira do deus dos mares.
Temos um novo campeão na eterna luta pelo título do mais veloz supercomputador do mundo. Quem leva o campeonato, pelo menos por enquanto, é o Titan, uma máquina americana que custa 100 milhões de dólares e é capaz de processar 17.59 petaflops de dados por segundo. Esse novo recorde representa quadrilhões de cálculos a cada instante.
O sistema é um Cray XK7, que fica no Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee. O antigo campeão também era estadunidense: o Sequoia, com uma velocidade de processamento de 16.33 petaflops por segundo.
E quantos processadores são necessários para criar o super computador mais rápido do mundo? Atualmente, pouco mais de 560 mil, um poder de processamento de 17,59 Petaflops. É essa a capacidade do Titan, o novo líder do Top 500 mundial.
O Titan foi criado com base no Jaguar, super computador que em 2010 também foi o mais rápido do mundo — e com apenas 2,5 Petaflops. A máquina, instalada no laboratório nacional da cidade de Oak Ridge, no estado americano do Tenessee, tem configurações assustadoras: cerca de 560.640 processadores. Destes, 299.008 são da CPUs Opteron 6274 da AMD; e 261.632 são GPUs Nvidia Tesla K20X. O Titan é fruto de uma reformulação no valor de US$ 97 milhões custeada pelo Departamento de Energia dos EUA. A montagem dele ficou por conta da Cray. A AMD entrou com CPUs Opteron, algo incomum visto que 76% dos super computadores confiam em soluções Intel. Por fim, a Nvidia com 18688 GPUs Tesla K20X, em grande parte responsáveis pelo desempenho abismal do Titan. Ah, e ele também tem um visual bem bacana.
O Sequoia, da IBM, líder da edição de junho do Top 500, caiu para a segunda posição — o seu poder de processamento é de 16,3 Petaflops. Esses resultados foram obtidos com o Linpack.
As unidades de processamento, junto com placas que somam 710 terabytes de memória, estão dentro de um hardware montado pela Cray, uma das mais tradicionais empresas da área de supercomputação.
O Titan roda um sistema operacional Linux. Os cientistas usarão seu poder de processamento para simular e resolver problemas nas áreas de física e energia. Ele poderá dar respostas 10 vezes mais rápidas que o Jaguar, o supercomputador que reinava no data center do Oak Ridge.
O Jaguar, aliás, foi desmontado. E a sua estrutura foi aproveitada para dar vida ao Titan, que custou quase 100 milhões de dólares. No vídeo mais abaixo, é possível ver engenheiros e técnicos trabalhando no upgrade da máquina: ou seja, montando placas, instalando peças, colando adesivos e dando vida ao supercomputador americano.
Segundo a Nvidia, a atualização valeu a pena para o governo americano. O Titan é 10 vezes mais rápido que o Jaguar, que realizava ´apenas 20 quatrilhões´ de cálculos matemáticos por segundo. Além disso, a máquina é mais econômica no consumo de energia.
Num comunicado a imprensa, a Nvidia disse: “Caso o laboratório Oak Ridge tivesse atualizado o Jaguar através da simples expansão de sua arquitetura baseada em CPU, o sistema teria mais de quatro vezes seu tamanho atual e consumiria mais de 30 megawatts de energia”.
O novo 'campeão', conta com 19 mil nós de processamento. Cada nó tem um processador de 16 núcleos da AMD e uma GPU da Nvidia. Além disso, a máquina conta com 710 terabytes de memória RAM, como informa o The Telegraph. Ele ainda conta com 20 petabytes de armazenamento.
Quando os cientistas Phillipe Horvath e Rodolphe Barrangou decidiram
encontrar a melhor maneira de fazer iogurte, eles não esperavam tropeçar
em uma das descobertas mais promissoras da área biológica: uma
superproteína que pode literalmente cortar DNA, e tem o potencial de
revolucionar a engenharia genética.
“Isso pode acelerar significativamente a taxa de descoberta em todas
as áreas da biologia, incluindo a terapia genética na medicina, a
geração de melhores produtos agrícolas, e a engenharia de micróbios
produtores de energia”, explica Luciano Marraffini, da Universidade
Rockefeller (EUA).
A proteína, chamada Cas9, pode ser explorada para cortar fitas de DNA
exatamente no lugar onde os pesquisadores querem. Não torna a
engenharia genética fácil, mas torna-a muito, muito mais fácil do que é
atualmente, pois permite que os cientistas emendem sequências de DNA com
uma precisão sem precedentes.
Cas9 foi encontrada no ano passado. Os cientistas descobriram que,
quando combinada com certas bactérias, a proteína invade e mata vírus
cortando seu DNA em pontos-alvo específicos.
Isso faz da proteína uma excelente candidata para tornar a produção
de iogurte mais eficiente. Mas o que é mais interessante ainda é que
Cas9 pode ser emparelhada com qualquer sequência de RNA (cordas de
moléculas que codificam e regulam a expressão de genes) para alvejar um
pedaço determinado do DNA e cortá-lo com precisão incrível, como uma
espécie de tesoura minúscula feita sob encomenda.
O mundo da biologia imediatamente fervilhou com as possibilidades que a proteína oferece.
“Ela está se espalhando como fogo desde que aprendemos sobre ela, e
certamente é muito tentadora. É fácil usá-la para fazer muitas
experiências”, disse o geneticista George Church, da Universidade
Harvard (EUA).
Cas9 poderia trazer consigo avanços enormes, pelo menos na nossa capacidade de estudar a genética.
Digamos que há três mudanças no DNA ou em torno de um gene que podem
causar uma doença. Hoje, é difícil estudá-las diretamente. Mas com a
nova proteína, podemos pegar uma célula de uma pessoa que já teve seu
DNA sequenciado e criar o que é conhecido como uma célula-tronco
pluripotente induzida, uma célula que se comporta como um embrião.
Depois disso, podemos usar a Cas9 para manipular cada uma dessas
mudanças no DNA.
Claro, ainda há um longo caminho a percorrer antes de simplesmente “cortarmos” defeitos do nosso DNA.
A pesquisa está atualmente sendo realizada em placas de Petri, não
criaturas vivas, mas é promissora. Segundo os especialistas, é só uma
questão de tempo até que algo importante venha dela.
O planeta Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos, e nestes anos já
viu muitos dias ruins (realmente ruins, com colisões planetárias, chuvas
de fogo, gelo de polo a polo, nuvens tóxicas e tudo o mais). Confira
sete dos piores dias que o globo já passou:
7. O impacto com Theia
A formação do planeta Terra foi um período de grandes impactos.
O que era um anel de gás e poeira foi formando “grumos”, que por sua
vez se juntaram para dar forma ao planeta. Depois de alguns milhões de
anos, a crosta da Terra já havia esfriado e solidificado, quando uma
aproximação com um outro planeta acabou da pior forma possível: em uma
colisão que lançou a atmosfera e parte da crosta terrestre no espaço.
O planeta hipotético que teria colidido com a Terra no início da sua
“vida” recebeu o nome de Theia, e teria se formado ao mesmo tempo que o
nosso, na mesma órbita. Com 10% da massa da Terra, mais ou menos o
tamanho de Marte, o núcleo de Theia afundou e se tornou parte do núcleo
terrestre, enquanto um pedaço de sua crosta se misturou a nossa crosta e
também à massa que entrou em órbita.
Essa massa que entrou em órbita formou primeiro um disco de matéria,
como os anéis de Saturno, e depois se agregou em um novo corpo, a lua.
Com sua órbita inclinada, o satélite estabilizou a rotação da Terra que,
sem o seu constante puxão gravitacional, estaria sujeita ao dos outros
planetas, o que desestabilizaria seu eixo.
6. O intenso bombardeio tardio
Levou cerca de 150 milhões de anos para a crosta terrestre resfriar e
se solidificar novamente, quando outro “dia ruim” chegou: o intenso bombardeio tardio.
Por alguma razão desconhecida, depois que os planetas rochosos já
estavam formados (e por isto o nome de “tardio”), uma chuva intensa de
trilhões de asteroides e cometas atingiu o sistema solar interior. As
causas podem ser alguma instabilidade nas órbitas dos gigantes gasosos,
embora existam outras hipóteses.
Neste bombardeio, asteroides imensos atingiram o planeta. Alguns
cientistas supõem que foi um período em que a vida se formava para em
seguida ser apagada por um asteroide, e isto teria se repetido várias
vezes.
Mas não há evidências na crosta terrestre deste bombardeio, que durou
cerca de 200 milhões de anos. Qualquer cratera da época, cerca de 4,1
bilhões de anos atrás, foi apagada pela erosão.
As evidências deste bombardeio estão na lua, que tem algumas de suas
maiores crateras datando daquela época. Qualquer chuva de asteroides que
tenha atingido o satélite naquela época certamente atingiu a Terra
também, além de Vênus, Mercúrio e Marte.
Mas há um ponto positivo no intenso bombardeio tardio. Alguns
cientistas especulam que os metais que utilizamos hoje, entre eles
platina, prata e ouro, foram depositados por estes asteroides, já que os
metais que faziam parte do planeta teriam mergulhado para seu centro
durante a fase em que a Terra estava liquefeita.
5. Terra bola de neve
Este foi um cataclismo que durou centenas de milhares de anos, chamado Terra bola de neve, um período em que a Terra congelou completamente. E não só uma vez, mas várias vezes.
Durante uma era do gelo típica, as geleiras avançam dos polos em
direção ao equador, atingindo, do lado norte, as regiões que hoje
correspondem à Nova Iorque, nos Estados Unidos, e Paris, na França. Mas
quando aconteceram os eventos “Terra bola de neve”, toda a superfície do
planeta congelou, de polo a polo.
Os piores episódios de congelamento do planeta teriam acontecido
primeiro a 2,4 bilhões de anos, e depois, 600 milhões de anos atrás. Não
há evidências diretas destes períodos de congelamento, mas a hipótese
da Terra congelada explica porque há depósitos de glaciares em áreas que
já foram o equador do planeta.
E o que teria causado este cataclismo gelado? Talvez a própria vida.
Quando surgiu a vida, o gás que ela respirava era metano, um gás de
efeito estufa, que teria mantido o planeta aquecido até que surgiu a
clorofila na Terra, e os microrganismos passaram a produzir oxigênio.
O oxigênio oxidou o metano e produziu dióxido de carbono, e as
criaturas que viviam de metano morreram na assim chamada catástrofe do
oxigênio. O desaparecimento da camada de metano acabou com o efeito
estufa da época, e o planeta congelou.
A era do gelo provavelmente acabou por causa da atividade vulcânica
do planeta, que era mais intensa na época, o suficiente para descongelar
o planeta.
Curiosamente, depois de ambos os períodos de congelamento, a vida
floresceu no planeta com vigor renovado, causando a diversificação de
vida microbiana 2,4 bilhões de anos atrás, e a vida animal 600 milhões
de anos atrás.
4. A extinção ordoviciana
99% de todas a espécies que já existiram estão extintas, a maioria
por causa de eventos de extinção em massa. O primeiro destes aconteceu
durante o período ordoviciano, 450 milhões de anos atrás.
De todas as extinções em massa, a do ordoviciano é a mais misteriosa.
Como ela aconteceu há mais tempo do que todas as outras, as pistas
sobre o que ocorreu são as mais tênues.
A princípio, os cientistas acreditaram que a extinção foi causada por
uma era do gelo, mas uma nova hipótese está se formando: a de que a
Terra foi banhada por um disparo de raios gama. Este tipo de evento
acontece quando uma estrela explode ao longo de seu eixo, nas duas
direções, norte e sul.
Um disparo de raios gama que atingisse a Terra vaporizaria 1/3 da
camada de ozônio, expondo os seres vivos à doses letais de radiação e à
radiação UV, prejudicial a nós. Além disso, o raio gama romperia as
moléculas de nitrogênio e oxigênio, produzindo um nevoeiro de dióxido de
nitrogênio, o que causaria um desastre secundário – uma era do gelo.
Não há certeza se a suposta era do gelo foi causada por um disparo
gama, mas é certo que as criaturas vivas que se arrastavam na superfície
e camadas mais altas do oceano sofreram um decréscimo enorme, sugerindo
que foram mortas por raios UV.
Outra hipótese mais fantástica é a de que a Terra sofreu as
consequências de uma onda de choque. A galáxia viaja por um fluxo de gás
intergaláctico, e quando a Terra afasta-se acima ou abaixo do disco
galáctico, é exposta a raios cósmicos causados pelo aquecimento deste
gás na onda de choque à frente do sistema solar.
Isto acontece a cada 64 milhões de anos, o que corresponde a uma
diminuição e aumento da biodiversidade da vida a cada 62 milhões de
anos, que aparece no registro fóssil. Estarão ligados, estes eventos? É
uma hipótese que ainda está sendo desenhada e não foi testada, mas
parece poder explicar algumas extinções em massa na Terra.
3. A extinção KT
A extinção KT
(do nome das camadas que ela separa, o Cretáceo e o Terciário) é a mais
famosa. Aconteceu há 65 milhões de anos e foi causada pela queda de um
asteroide, Chicxulub, na região do Iucatã que tem o mesmo nome. Ela
liquidou os dinossauros e abriu caminho para o domínio dos mamíferos.
A novidade é que existe uma hipótese de que o asteroide Chicxulub não
foi o único causador da extinção KT; ele teria sido apenas um
coadjuvante. Um derramamento de lava que jorrou material suficiente para
cobrir mais de um milhão de quilômetros quadrados, jogando gases
tóxicos na atmosfera que poderiam alterar o clima da Terra, parece ser o
principal culpado.
Este derramamento de lava já estaria acontecendo quando o asteroide
Chicxulub deu o golpe de misericórdia nos dinossauros, na época já em
declínio.
Também pode ser que tal golpe de misericórdia tenha sido múltiplo,
com vários asteroides atingindo a Terra – Chicxulub não seria nem o
maior deles.
Os defensores dos múltiplos impactos apontam para uma estrutura
misteriosa no fundo do mar próximo da costa da Índia, que recebeu o nome
de cratera Shiva. Mas os críticos apontam que a estrutura pode nem
mesmo ser uma cratera de impacto.
E para quem está se perguntando se poderemos ter o mesmo fim dos
dinossauros, a resposta é sim. A passagem do asteroide 2012 DA14 e a
explosão do meteoro sobre a Rússia servem de aviso – isto pode acontecer
novamente. Foguetes e tecnologia serão suficientes para nos salvar?
2. A Grande Mortandade
Esta é a maior extinção em massa do planeta Terra, e uma que ainda
tem mistérios não resolvidos. Aconteceu a 250 milhões de anos atrás, e resultou na morte de 95% de todos os seres vivos que haviam no planeta. Mais vidas morreram então do que em qualquer tempo antes e depois, até hoje.
Durante décadas, os cientistas procuraram por pistas para a causa de
tanta morte, e um dos culpados supostos seria um supervulcão da Sibéria
cuja erupção durou um milhão de anos e produziu o maior fluxo de lava de
que se tem notícia. O derramamento teria queimado plantas, liberando
gases tóxicos e de efeito estufa, causando um aquecimento global.
O problema é que até as plantas que conseguem sobreviver com gás carbônico sucumbiram. O que poderia ter causado sua morte?
Recentemente, uma nova hipótese foi levantada: a de que houve também
formação do gás sulfato de hidrogênio, que, combinado com o calor,
poderia ter causado a extinção em massa da época.
1. Apocalipse Solar
Em cinco bilhões de anos, o sol vai mudar: vai passar de anã amarela
para gigante vermelha quando seu hidrogênio acabar e ele passar a fundir
hélio para formar carbono. Neste processo, deve se expandir e ficar 200
vezes maior.
Enquanto expande, o sol vai engolir primeiro Mercúrio, depois Vênus, e
talvez a Terra – o destino do nosso planeta ainda não é conhecido; ele
pode ser empurrado para uma órbita mais alta ou engolido também.
De qualquer forma, o planeta Terra de então será bem diferente do atual.
A cada bilhão de anos, o sol fica 10% mais brilhante, o que significa
que em menos de 1 bilhão de anos o planeta estará brilhante o
suficiente para arrancar o gás carbônico da atmosfera, matando as pantas
que dependem deste gás para crescer e realizar a fotossíntese.
E não é só isso. Para nossa desgraça (literalmente), os oceanos vão
evaporar e toda a vida do planeta será extinta. A Era dos Animais deve
terminar em cerca de 500 milhões de anos.
Em 4 de julho de 2012, duas equipes de cientistas que trabalham de
forma independente no acelerador de partículas Grande Colisor de Hádrons
(LHC, na sigla em inglês) anunciaram o resultado de suas pesquisas: a
observação do que parecia ser um novo tipo de partícula.
Tais resultados iniciais indicavam tratar-se do bóson de Higgs.
Parte do Modelo Padrão de partículas da física, o bóson de Higgs seria a partícula elementar do campo de Higgs, que confere massa às demais partículas. O anúncio
da descoberta de um bóson que podia ser o de Higgs era promissor,
porém, mais análises eram necessárias para confirmar que a nova
partícula realmente era o parecia.
Agora, na Conferência Moriond,
na Itália, as mesmas equipes anunciaram o resultado da análise de um
volume maior de dados (duas vezes e meia maior), e determinaram que a
partícula é, de fato, o bóson de Higgs.
Eles chegaram à esta conclusão analisando como a partícula interage com outras e quais suas propriedades quânticas.
Mas o trabalho ainda não terminou. Existem várias teorias que preveem
bósons de Higgs ligeiramente diferentes. O próximo passo é determinar
qual modelo corresponde a partícula encontrada, se é o modelo padrão ou
algum modelo que vai além dele.
Para isto, os cientistas terão que observar o máximo de decaimento de
bósons de Higgs, para ver em que partículas eles decaem. Serão
necessários mais testes que poderão levar bastante tempo. Quanto tempo? A
detecção de bósons acontece uma vez a cada um trilhão de colisões de
prótons.
Por enquanto, com o que se sabe do bóson, ele pode significar o fim
do universo no futuro distante. A massa do bóson de Higgs é uma parte
importante de um cálculo que determina o futuro do espaço e do tempo. A
massa encontrada, 126 vezes a massa do próton, está com o valor
necessário para criar um universo fundamentalmente instável, que sofrerá
um cataclisma em algumas dezenas de bilhões de anos.
“Pode ser que o universo em que vivemos seja inerentemente instável, e
em algum ponto daqui a bilhões de anos tudo será apagado”, comentou
Joseph Lykken, físico teórico do Laboratório do Acelerador Nacional
Fermi, em Batavia, Illinois, EUA, um dos colaboradores do experimento.
Carl Sagan
foi professor de Astronomia e Ciências Espaciais e diretor do
Laboratório de Estudos Planetários da Universidade de Cornell, EUA.
Desempenhou um papel de liderança no programa espacial estadunidense
desde o seu início. Foi consultor e conselheiro da NASA desde 1950,
ajudou a resolver os mistérios das altas temperaturas de Vênus
(resposta: efeito estufa maciça), as mudanças sazonais em Marte
(resposta: poeira trazida pelo vento), e a névoa avermelhada de Titã
(resposta: moléculas orgânicas complexas).
Como um cientista formado em astronomia e biologia, Carl Sagan fez
contribuições essenciais para o estudo das atmosferas planetárias,
superfícies planetárias, a história da Terra, e exobiologia que é o
estudo da origem, evolução, distribuição, e o futuro da vida no
Universo. Sua capacidade de capturar a imaginação de milhões e de
explicar conceitos difíceis em termos compreensíveis é uma realização
magnífica, comprovando que não é o vocabulário que faz o homem, mas sim
como o utiliza e manifesta seu conhecimento.
Carl Sagan foi mais do que um simples homem. Foi um homem dotado de
inteligência capaz de questionar, estudar e ensinar àqueles que
quisessem aprender além do que está escrito na bíblia, ou nos livros do
ensino fundamental. Reforçou a ideia de que o universo é um mistério que
anseia por ser descoberto. E que as superstições são obstáculos criados
para interromper a evolução humana. Somos dotados da capacidade de
pensar, raciocinar e questionar, e infelizmente, não é isso que o poder
governante quer.
Porém, é graças à iniciativa de pessoas como Doutor Sagan que o mundo
caminha para novos horizontes. Se existissem pessoas deste porte se
envolvendo em todas as áreas de estudo, tornar-se-ia possível imaginar
um mundo onde o que importa é a evolução humana, e não somente a
religião que se segue, a roupa que se veste, ou o sapato que se usa.
“Com suas revelações sobre um pequenino mundo embelezado
pela música e pelo amor, a nave Voyager já saiu do sistema solar e se
dirige ao mar aberto do espaço interestelar. A uma velocidade de 70 mil
quilômetros por hora, projeta-se em direção às estrelas e a um destino
com o qual só podemos sonhar. Estou cercada por pacotes do correio,
cartas de pessoas de todo o planeta que lamentam a perda de Carl. Muitos
lhe dão o crédito por tê-los despertado. Alguns dizem que o exemplo de
Carl os inspirou a trabalhar pela ciência e pela razão contra as forças
das superstição e do fundamentalismo. Esses pensamentos me consolam e me
resgatam de minha dor. Permitem que eu sinta, sem recorrer ao
sobrenatural, que Carl vive.”
Decifrado recentemente, um texto egípcio de 1,2 mil anos conta que
Jesus teria celebrado a Santa Ceia com Pôncio Pilatos (o juiz que
autorizou sua crucificação, de acordo com os Evangelhos Canônicos), numa
terça-feira e não numa quinta, e que Jesus era capaz de mudar sua
aparência (uma explicação para a maneira que Judas teria usado para
ajudar soldados romanos a identificá-lo na hora da prisão).
De acordo com o pesquisador Roelof van den Broek, que publicou a
tradução em seu livro “Pseudo-Cyril of Jerusalem on the Life and the
Passion of Christ” (“Pseudo Cirilo de Jerusalém sobre a Vida e a Paixão
de Cristo”, sem edição no Brasil), é importante ressaltar que, embora a
existência do relato não possa garantir que as coisas ocorreram dessa
maneira, poderia haver pessoas na época que acreditavam nele.
Há pelo menos duas cópias do texto, escrito na linguagem copta (do
povo egípcio do período helenístico e do período sob dominação romana):
um na Biblioteca e Museu Morgan em Nova York e outro no Museu da
Universidade da Pensilvânia (ambos nos EUA). Boa parte da tradução foi
feita a partir da cópia que se encontra em Nova York, mais conservada.
“Sem maior tumulto, Pilatos preparou a mesa e comeu com
Jesus no quinto dia da semana. E Jesus abençoou Pilatos e toda a sua
casa (…) [depois, Pilatos disse a Jesus] bem, observe, a noite chegou,
levante-se e bata em retirada, e quando a manhã chegar e eles me
acusarem por sua causa, eu devo dar a eles o único filho que tenho para
que eles possam matá-lo em seu lugar”.
De acordo com o texto, Jesus teria agradecido a Pilatos por sua boa
vontade, mas recusado a oferta e mostrado que, se desejasse, poderia
escapar de outras formas, desaparecendo em seguida.
Van den Broek lembra que, na Igreja Copta e em igrejas da Etiópia,
Pilatos é considerado um santo, e isso explicaria o retrato mais
amigável que ele recebeu nesse e em outros textos.
“Então os judeus disseram a Judas: como vamos prendê-lo
[Jesus], pois ele não tem uma única forma, sua aparência muda. Às vezes
ele é corado, às vezes ele é branco, às vezes ele é vermelho, às vezes
ele tem cor de trigo, às vezes ele é pálido como um asceta, às vezes ele
é um jovem, às vezes um velho…”
Se Jesus era capaz de mudar radicalmente de aparência, uma simples
descrição física não bastaria para que os guardas romanos o
identificassem, o que teria motivado Judas a escolher um sinal (um beijo
no rosto, de acordo com os Evangelhos Canônicos).
Embora muitos leitores possam ter achado a ideia curiosa, ela é ainda
mais antiga do que o texto egípcio. “Essa explicação do beijo de Judas
foi encontrada primeiro em Orígenes [um teólogo que viveu de 185 a
254]“, explica o pesquisador. Na obra Contra Celsum, Orígenes escreveu
que “para aqueles que o viam, [Jesus] não aparecia da mesma forma para
todos”.
O autor do texto assina como São Cirilo de Jerusalém, um santo que
viveu no Século 4 – da mesma forma que ocorre com diversos outros textos
antigos, segundo van den Broek. Além disso, o autor alega que teria
encontrado em Jerusalém (atualmente no território de Israel) um livro
com relatos feitos pelos apóstolos sobre a vida e a morte de Jesus.
Van den Broek considera que essa alegação seria um recurso para
“aumentar a credibilidade das visões peculiares e dos fatos não
canônicos que ele vai apresentar, atribuindo-os a uma fonte apostólica”,
estratégia que seria encontrada “frequentemente” na literatura copta.
Outro aspecto intrigante do texto é o fato de ele apontar que a
“Última Ceia” teria ocorrido com Pilatos e, além disso, em um dia da
semana diferente do que é celebrado há quase dois mil anos. “[...] É
fora do comum que Pseudo-Cirilo relate a história da prisão de Jesus na
noite de terça-feira, como se a história canônica de sua prisão na noite
de quinta não existisse”, diz van den Broek.
Van den Broek explicou que “no Egito, a Bíblia já havia se tornado
canônica no quarto/quinto século, mas histórias apócrifas e livros
permaneceram populares entre cristão egípcios, especialmente entre
monges”.
Existem algumas esquisitices na mecânica quântica. Uma delas é o
estado de vácuo (vácuo quântico ou simplesmente vácuo), situação em que
um sistema quântico está no seu estado de energia mais baixo possível.
Mesmo não abrigando nenhuma partícula, o vácuo quântico não está
vazio – ele contém ondas eletromagnéticas flutuantes, e as assim
chamadas partículas virtuais, que ficam saltando entre a existência e a
não existência.
Além disso, o estado do vácuo tem uma energia de ponto zero, o menor
nível de energia que um sistema mecânico quântico pode ter, que se
manifesta como o efeito Casimir estático, uma força de atração entre paredes opostas em uma cavidade eletromagnética.
Agora, pesquisadores da Universidade Aalto na Finlândia
e do Centro de Pesquisa Técnico VTT, também na Finlândia, demonstraram
que existe um “efeito Casimir dinâmico”, usando um metamaterial dentro
de uma cavidade de micro-ondas. Eles mostraram que, em certas condições,
fótons reais são criados em pares, concluindo que tal criação é
consistente com as predições da teoria de campo quântico.
Quando dois espelhos estão próximos e a distância entre eles é menor
que o comprimento de onda das partículas virtuais, elas são excluídas do
espaço entre os espelhos, e isto faz com que a pressão do vácuo externa
aos espelhos seja maior que a interna. É o efeito Casimir estático.
Se movermos os espelhos, o mar de partículas virtuais se adapta a
esse movimento e continua a aparecer e desaparecer (ao se aniquilarem).
Mas se a velocidade dos espelhos começar a se aproximar da velocidade
dos fótons, alguns fótons são separados de seus parceiros, e não são
aniquilados. Por conta disso, os fótons virtuais se tornam reais, e o
espelho começa a produzir luz – em teoria.
Na prática, é muito difícil acelerar um espelho até velocidades próximas da luz. Para conseguir isso, os cientistas usaram truques,
como uma linha de transmissão conectada a um “dispositivo supercondutor
de interferência quântica” ou SQUID. Ao alterar as características do
SQUID, eles alteraram o comprimento elétrico efetivo da linha e esta
mudança é equivalente a movimentar um espelho eletromagnético.
Ao operar o mecanismo, os pesquisadores conseguiram demonstrar que os
fótons podem ser gerados aos pares, e que a energia gerada está de
acordo com a previsão teórica.
Obter os fótons não foi fácil, no entanto. O sistema era bastante
sujeito a ruído que mascara os fótons produzidos, e também a
ressonâncias que impedem o uso de certas frequências.
O Dr. Pasi Lähteenmäki
e sua equipe pretendem utilizar o novo equipamento, com algumas
alterações, para simular o horizonte de eventos de um buraco negro. Isso
o permitirá estudar a radiação Hawking em laboratório.
Ainda existem outras aplicações potenciais para a descoberta, como o
desenvolvimento de computadores quânticos mais poderosos, o estudo do
Big Bang, da energia escura e da matéria escura.
Será que a comprovação de que o universo veio do nada está a caminho?
Uma descoberta recente pode alterar a história da Via Láctea: um estudo publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
(“Notícias Mensais da Real Sociedade Astronômica”) afirma que nossa
galáxia absorveu uma galáxia satélite menor 10 milhões de anos atrás, em
um evento que teria culminado com o encontro dos buracos negros
centrais das galáxias. A colisão teria sido tão forte que teria
arremessado um grupo de estrelas antigas para fora do núcleo a
hipervelocidades.
Bolhas de Fermi
As astrônomas Kelly Holley-Bockelmann, da Universidade Vanderbilt (na cidade de Nashville, Tenesse, EUA), e Tamara Bogdanović, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Atlanta, EUA), chegaram a esta teoria a partir da observação das assim chamadas Bolhas de Fermi, duas bolhas gigantescas e difusas de raios-gama que estão emergindo do centro da galáxia, acima e abaixo do plano galáctico.
Atualmente, elas têm 25.000 anos-luz de comprimento. Acredita-se que o
raio-gama que emitem seja resultado de colisão de partículas lançadas
do centro galáctico em altas velocidades.
O que chamou a atenção das astrônomas foi que a borda das bolhas é
bem nítida, o que sugere um evento bastante abrupto, e que teria
ocorrido poucos milhões de anos atrás, período que corresponde também à
idade de estrelas jovens no centro galáctico.
Segundo Holley-Bockelmann,
“o gás foi perturbado pela passagem de uma galáxia satélite, e parte
deste gás formou estrelas, enquanto o resto acabou sendo engolido pelo
buraco negro, e as Bolhas de Fermi seriam o ‘arroto’ explosivo que o
buraco negro lançou depois de ter lanchado o gás”.
A reconstrução da história do evento começa cerca de 13 bilhões de
anos atrás, quando a pequena galáxia satélite disparou em direção ao
centro da Via Láctea. À medida que caía, ia gravitacionalmente perdendo
suas estrelas e matéria escura até se tornar um esqueleto do que era
antes.
A pequena galáxia satélite, ou o que restou dela, teria atingido
finalmente o centro galáctico da nossa galáxia alguns milhões de anos
atrás, na forma de um buraco negro e um véu de estrelas e matéria
escura.
Apesar de estar tão despida de sua matéria original, o que restou da
galáxia ainda tinha massa suficiente para perturbar o gás que orbitava o
nosso centro galáctico, fazendo com que parte dele explodisse em
estrelas e o resto caísse no nosso buraco negro supermassivo, que teria
então emitido o “arroto” explosivo na forma das Bolhas de Fermi.
Mas esta ainda não é toda a história: há ainda o destino do buraco
negro central da galáxia satélite, que teria se ligado ao nosso buraco
negro central e formado um buraco negro binário. O movimento do par
binário teria arremessado milhares de estrelas que estavam por perto
para longe. Segundo as pesquisadoras, estas estrelas estariam, agora, a 10.000 anos-luz de suas órbitas originais.
Com esta teoria, as astrônomas explicariam não apenas as Bolhas de
Fermi, mas também o fato de que a região central da nossa galáxia tem
poucas estrelas velhas, e tem vários aglomerados com estrelas novas.
Vulcões são poderosas e gigantescas armas de destruição de nosso
planeta, cuspindo pedra derretida a impressionantes temperaturas,
criando gigantescas explosões que atiram rochas enormes a quilômetros de
distância e fluxos piroclásticos
que podem incinerar cidades inteiras em segundos. Só faltava terem a
capacidade de soltar relâmpagos para serem ainda mais amedrontadores.
Mas por que isto acontece? Na foto acima você uma erupção de janeiro
do vulcão japonês Sakurajima cuspindo bolhas de lava incandescente, ou
seja, rocha na forma líquida, e um relâmpago. Ainda estamos estudando a
causa de relâmpagos em tempestades e nos vulcões a causa é ainda menos
clara. Mas sabemos que relâmpagos são uma forma de equilibrar cargas
elétricas opostas e uma hipótese afirma que o magma quando é atirado
pelo vulcão já tem carga elétrica e o movimento cria estas áreas
separadas. Outros tipos de relâmpagos vulcânicos podem ser facilitados por colisões da poeira vulcânica que induzem carga elétrica.
Relâmpagos ocorrem 40 vezes por segundo na Terra. Eles são os
responsáveis pela existência da camada de ozônio que nos protege de
perigosos raios solares e, portanto, a vida como conhecemos.