terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Gosta de um paradoxo? Confira 10 que vão dar um nó na sua cabeça

O que é um paradoxo? De uma maneira curta e grossa, um paradoxo pode ser definido como uma expressão, verbal ou numérica, que contém uma contradição interna, como no verso de uma dos poemas mais famosos de todos os tempo, de Luis Camões, que diz: “Amor é ferida que dói e não se sente”. O paradoxo existe nessa frase porque o poeta diz que “dói” e ao mesmo tempo “não sente”. Oras: como pode ele saber se dói ou não, se ele não sente? Ou, como é possível não sentir o que dói?

Esse é apenas um dos vários exemplos de paradoxos, que podem ser encontrados por toda a parte – da ecologia à geometria, da lógica à química. E, como além de confusos, eles são um tanto divertidos, vamos mostrar aqui hoje 10 paradoxos que vão dar um nó na sua cabeça!

10. O paradoxo de Banach-Tarski

Imagine que você está segurando uma bola. Agora imagine que você está rasgando essa bola em pedaços, dando a eles qualquer forma que você quiser, aleatoriamente. Depois disso, coloque os pedaços juntos novamente para formar duas bolas ao invés de uma. Qual o tamanho dessas bolas, em comparação com a que você começou o experimento?

A geometria teórica concluiria que a bola original pode ser separada em duas bolas exatamente do mesmo tamanho e forma da bola original. Além disso, dadas duas bolas de volumes diferentes, as duas poderiam ser reformadas para se encaixarem uma com a outra. Conclusão: uma pequena ervilha poderia ser dividida e transformada em uma bola do tamanho do sol.

Como é que é?

Calma. O truque deste paradoxo é a ressalva de que você pode rasgar uma bola em pedaços de qualquer forma. Na prática, você realmente não pode fazer isso, porque estamos limitados pela estrutura do material e, finalmente, pelo tamanho dos átomos. Para ser capaz de rasgar realmente uma bola da maneira que você bem entendesse, ela teria de conter um número infinito de pontos sem dimensão acessível. Ela também deveria ser infinitamente densa com estes pontos e, uma vez que fossem separados, as formas poderiam ser tão complexas que não teriam nenhum volume definido. Você poderia reorganizar essas formas, cada uma contendo infinitos pontos, em uma bola de qualquer tamanho. A nova bola ainda conteria infinitos pontos, e as duas bolas seriam igualmente, e infinitamente, densas.

Essa ideia não funciona quando fazemos o experimento em bolas físicas, apenas com esferas matemáticas – que são conjuntos de números infinitamente divisíveis em três dimensões. A resolução do paradoxo, o chamado teorema de Banach-Tarksi, é, portanto, de fundamental importância para a teoria dos conjuntos matemáticos.

9. Paradoxo de Peto

Não preciso dizer para ninguém que as baleias são muito maiores do que nós, não é? Isso significa que elas também têm muito mais células em seus corpos. Então, se cada célula do corpo tem potencial para se tornar cancerosa, baleias têm uma chance muito maior de ter câncer do que nós seres humanos, certo? Errado.

O Paradoxo de Peto, em homenagem ao professor de Oxford Richard Peto, afirma que a correlação esperada entre tamanho do animal e da prevalência do câncer é inexistente. Os seres humanos e as baleias beluga compartilham uma chance relativamente semelhante de ter câncer, enquanto que certas raças de pequeno ratos têm uma chance muito maior. Para alguns biólogos, essa falta de correlação apresentada no paradoxo vem de mecanismos de supressão de tumores em animais de maior porte. Estes supressores justamente trabalham para evitar a mutação de células durante o processo de divisão.

8. O Problema das Espécies Presentes

Para algo existir fisicamente, ele deve estar presente por um período de tempo. Assim como em um objeto não pode faltar comprimento, largura ou profundidade, ele precisa de “duração” – um objeto “instantâneo”, que não dura por qualquer quantidade de tempo, simplesmente não existe.

De acordo com o niilismo universal, o passado e o futuro não ocupam nenhum momento dentro do presente. Além disso, é impossível quantificar a duração do que chamamos de “presente”. Qualquer quantidade de tempo que você atribui ao presente pode ser temporariamente dividida em partes de passado, presente e futuro. Se o presente é de um segundo, então esse segundo pode ser dividido em três partes. A primeira parte é, então, o passado, a segunda parte é o presente, e a terceira é o futuro. E esse terceiro segundo, que agora é considerado o presente, pode ser ainda dividido em mais três partes. E assim sucessivamente. Esta divisão pode ocorrer infinitamente. Portanto, o presente nunca pode existir verdadeiramente, uma vez que nunca ocupa uma duração de tempo. O niilismo universal usa esse argumento para afirmar que nada existe.

7. Paradoxo de Moravec

Você já deve ter percebido que as pessoas, de uma forma geral, têm dificuldade em resolver problemas que exigem alto nível de raciocínio. Por outro lado, as funções motoras básicas e sensoriais, como fazer caminhadas, não costumam ser um problema. Nos computadores, no entanto, os papéis são invertidos. É muito fácil para os computadores processarem problemas lógicos, tais como a elaboração de estratégias de xadrez, mas é preciso muito mais trabalho para programar um computador para caminhar ou interpretar um discurso com precisão.
Esta diferença entre a inteligência natural e artificial é conhecida como Paradoxo de Moravec.

Hans Moravec, um cientista pesquisador no Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, explica essa observação através da ideia de engenharia reversa em nossos próprios cérebros. A engenharia reversa é mais difícil para as tarefas que os seres humanos fazem inconscientemente, como executar funções motoras. Como o pensamento abstrato tem sido uma parte do comportamento humano por menos de 100 mil anos, a nossa capacidade de resolver problemas ditos abstratos é consciente. Portanto, é muito mais fácil para os cientistas criar tecnologia que reproduz esse tipo de comportamento. Por outro lado, ações como falar e se mover são inconscientes. Ou seja: não temos controle do processo que leva a essas ações – e em muitos casos nem sabemos direito como ele acontece. Por isso é mais difícil colocar estas funções em agentes de inteligência artificial.

6. Lei de Benford

Qual é a chance de um número aleatório começar com o dígito “1”? Ou com o dígito “3” ou “7”? Se você conhece um pouco sobre a teoria das probabilidades, você diria que a probabilidade em cada caso seria um em cada nove, ou cerca de 11%. E, no entanto , se você olhar para os valores do mundo real, “9” aparece menos que 11% do tempo. Menos números do que o esperado também começam com “8”, enquanto 30%, ou seja, a maioria, começam com o dígito “1”.

Este padrão paradoxal se repete em todos os tipos de medições reais, desde populações até preços de ações e comprimentos de rios. E a primeira pessoa a observar esse fenômeno foi o físico Frank Benford, em 1938. Ele descobriu que a frequência de um número que consta como o primeiro dígito cai conforme o número aumenta de um a nove. Assim, o número 1 aparece como o primeiro dígito aproximadamente 30,1% do tempo, o número dois aparece cerca de 17,6% do tempo, o número de três aparece cerca de 12,5% do tempo, e assim por diante até o nono dígito, que aparece apenas 4,6% do tempo.

Para explicar isso, imagine que você está olhando para uma sequência de cartas numeradas. Uma vez que tenhamos marcado as marcas de um a nove, a chance de qualquer número começando com “1” é de 11,1%. Quando acrescentamos uma carta número 10, a chance de um número aleatório iniciando com “1” sobe para 18,2%. À medida que adicionamos marcas de 11 a 19, a chance de uma começando com “1” continua a aumentar, atingindo um máximo de 58%. Então, quando adicionamos a carta número 20, a chance de um número começando com “2” aumenta, e as chances dela começar com “1” lentamente começam a cair. Demais, não é?

Só tem um porém: a Lei de Benford não se aplica a todas as distribuições numéricas, por exemplo, conjuntos de números que tem um alcance limitado, como a altura humana e medidas de peso. No entanto, se aplica a muitos outros tipos de dados, gerando um certo conflito com o que as pessoas esperam. E muito mais que um paradoxo, também tem aplicações muito úteis – as autoridades, por exemplo, podem usar essa lei para detectar fraudes. Quando determinados dados apresentados não seguem a Lei de Benford, as autoridades podem concluir que alguém burlou os dados em vez de coletá-los com precisão.

5. Paradoxo do Valor C

Genes contêm todas as informações necessárias para a criação de um organismo. Então, seria lógico que os organismos complexos tivessem genomas mais complexos. Mas isso não é verdade.

Organismos unicelulares, como a ameba, têm um genoma até 100 vezes maior do que o dos seres humanos. Na realidade, eles têm algumas dos maiores genomas já observados. Além disso, espécies que são muito semelhantes entre si podem ter genomas radicalmente diferentes.

Esta “esquisitice”, digamos assim, é conhecida como o Paradoxo do Valor C.

Um dos pontos do Paradoxo do Valor C é que o genoma pode ser maior do que o necessário, de forma que nem todo DNA é usado para a criação de um organismo. E isso é algo bom. Se todo o DNA dos seres humanos estivessem em uso, a quantidade de mutações por geração seria incrivelmente alta. Esta quantidade de DNA não utilizado, que varia muito de espécie para espécie, explica a falta de correlação que cria o paradoxo.

4. Uma formiga imortal em uma corda

Imagine uma formiga andando por uma distância de 1 metro de corda de borracha à 1 centímetro por segundo. Imagine também que a corda está sendo esticada na mesma direção, aumentando o caminho a ser percorrido, a 1 km por segundo. Será que a formiga nunca vai chegar ao fim da corda?

Logicamente, parece impossível para a formiga completar o percurso, porque sua velocidade é muito menor do que a da corda. No entanto, a formiga vai, de fato, conseguir “completar essa prova” (eventualmente).

Vamos supor que a formiga esteja andando da direita para a esquerda. Antes de ela começar a se mover, ela tem 100% da corda a sua esquerda. Depois de um segundo, a corda se desenrolou consideravelmente, mas a formiga também se moveu. Embora a distância em frente à formiga aumente, o pequeno pedaço de corda que ela já andou se alonga também. Assim, embora o tamanho da corda aumente a uma taxa constante, a distância em frente à formiga aumenta ligeiramente menos a cada segundo.

A formiga, então, avança em seu percurso em um ritmo completamente estável. E, desta forma, a cada segundo, ela reduz gradualmente o percentual do caminho que resta a completar. O pequeno problema dessa equação é que a formiga precisa de uma condição necessária para que este paradoxo tenha uma solução: ser imortal, já que, para completar esse percurso, ela teria que andar por 2.8 x 10 ^ 43,429 segundos, o que excede o tempo de vida do universo.

3. Paradoxo do Enriquecimento

Modelos predador-presa são equações que descrevem ambientes ecológicos do mundo real, por exemplo, como as populações de raposas e coelhos mudam em uma grande floresta.

Vamos supor que a quantidade de alface aumente permanentemente em uma floresta. Assim, é de se esperar que haja um aumento na população de coelhos – que se alimentam de alface. Com uma oferta maior de alimento, a espécie tende a se reproduzir mais.

Mas, segundo o Paradoxo do Enriquecimento, esse pode não ser o caso. A população de coelhos aumentaria inicialmente. Contudo, o aumento da densidade de coelhos em um ambiente fechado também conduziria o aumento da população de raposas – que se alimentam de coelhos. Ao invés de encontrar um novo equilíbrio, os predadores podem crescer tanto em número que podem acabar com a presa e, assim, prejudicar sua própria espécie.

Na prática, os animais podem desenvolver meios para escapar do trágico destino do paradoxo, o que leva à populações estáveis. Por exemplo, as novas condições podem induzir ao desenvolvimento de novos mecanismos de defesa da presa.

2. O Paradoxo Trítono

Reúna um grupo de amigos para assistir ao vídeo acima. Quando acabar, pergunte às pessoas se o som aumentou ou diminuiu (ou se a altura subiu ou desceu) durante cada uma das quatro vezes em que toca. E você pode se surpreender ao descobrir que seus amigos vão discordar quanto à resposta.

Para entender esse paradoxo, precisamos entender um pouco mais sobre as notas musicais. Uma nota específica tem uma altura específica, que corresponde a quão alta ou baixa ela soa. Uma nota que é uma oitava acima de uma segunda nota soa duas vezes mais alta, porque a sua onda tem o dobro da frequência. Cada intervalo de oitava pode ser dividido em dois intervalos iguais de trítonos. No vídeo, um trítono separa os sons de cada par de sons. E, em cada par, um som é uma mistura da mesma nota em oitavas diferentes. Por exemplo, uma combinação de duas notas ré, uma mais alta que a outra. Quando o som é seguido de uma segunda nota a um trítono de distância (por exemplo, um sol sustenido entre duas notas ré), você pode validamente interpretar a segunda nota como mais ou menos alta do que a primeira.

1. O Efeito Mpemba


Na imagem acima você pode ver dois idênticos copos com água, exceto por uma coisa: a água do copo que está à sua esquerda está fervendo, e a água do copo à sua direita está à temperatura ambiente. Se colocarmos ambos os copos no congelador, qual vai congelar mais rápido? Antes de apostar todas as suas fichas no copo da direita, é melhor você conhecer o chamado Efeito Mpemba.

O copo da esquerda, com água fervente, vai congelar mais rápido. Esse efeito estranho ganhou o nome do estudante que o observou pela primeira vez, em 1986, enquanto congelava leite para fazer sorvete.

Alguns dos maiores pensadores da história – como Aristóteles, Francis Bacon e René Descartes – também haviam observado esse fenômeno anteriormente, mas não foram capazes de explicar porque ele acontecia. A verdade é que vários fatores contribuem para a ocorrência do Efeito Mpemba. Como, por exemplo, o copo de água quente pode perder uma grande quantidade de água por evaporação, deixando menos água para ser congelada. A água mais quente também tem menos gás dissolvido, o que poderia facilitar as correntes de convecção, tornando assim o processo de congelamento mais rápido.

Outra teoria reside nas ligações químicas que mantém as molécula de água juntas. Uma molécula de água tem dois átomos de hidrogênio ligados a um único átomo de oxigênio. Quando a água esquenta, as moléculas se separam e os laços podem relaxar e perder parte de sua energia. Isso permite que a água congele mais rapidamente do que a água que não tinha sido fervida antes de ser colocada no congelador.

Fonte: http://listverse.com/

Confirmado: fizemos sexo com os Neandertais

Um novo estudo da Universidade de Edimburgo (Escócia) concluiu que os seres humanos de fato fizeram sexo com os Neandertais. O método utilizado na pesquisa também poderia ajudar a compreender a evolução de outros organismos.

Cerca de 400.000 anos atrás, os Neandertais se separaram da linha de primata que deu origem aos humanos modernos. O grupo, então, mudou-se para a Eurásia e desapareceu completamente do mundo cerca de 30.000 anos atrás. Algumas teorias indicam que os Neandertais podem ter vivido perto do Círculo Polar Ártico em torno de 31.000 a 34.000 anos atrás.

No passado, as semelhanças genéticas entre Neandertais e seres humanos foram associadas a dois cenários possíveis.

A primeira hipótese diz que certas populações humanas – aquelas que se tornaram os eurasiáticos modernos – evoluíram em locais isolados na África, o que lhes permitiu ficar geneticamente semelhantes aos Neandertais, mesmo depois de se separarem de seu ancestral comum compartilhado.

Uma outra hipótese, no entanto, sugere um cruzamento – ondas de reprodução entre humanos e Neandertais, que teriam ocorrido após os seres humanos migrarem da África.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que os europeus e os asiáticos têm alguns genes Neandertais em seu genoma – na verdade, muitos cientistas acham que os europeus e asiáticos herdaram entre 1 e 4% de DNA Neandertal, o que é muita coisa.

Isso parece apoiar a teoria do cruzamento, mas, até agora, os cientistas não haviam conseguido demonstrar definitivamente que essas semelhanças genéticas são o resultado de reprodução entre as duas espécies, ao invés de apenas um ancestral comum no passado.

Então, para descobrir qual hipótese genética estava correta, os cientistas do novo estudo utilizaram uma abordagem estatística.

“Nós fizemos muitas contas para calcular a probabilidade dos dois cenários diferentes”, disse Laurent Frantz, coautor do estudo e biólogo evolucionário da Universidade de Wageningen, na Holanda. “Nós fomos capazes de fazer isso através da divisão do genoma em pequenos blocos de comprimento igual, a partir dos quais nós inferimos genealogia”.

Os pesquisadores disseram que o novo método permite-lhes dizer que os seres humanos cruzaram com Neandertais com um alto grau de certeza.

Além disso, a técnica desenvolvida também pode ser usada para estudar a evolução de outros organismos com pouca amostra genética. A equipe havia na verdade criado esse método para estudar as populações de insetos da Europa e espécies raras de porcos no Sudeste Asiático.

Por fim, Frantz pensa que estes resultados, juntamente com os de estudos anteriores, devem servir para mudar teorias sobre a brutalidade da evolução humana – no passado, havia mais de uma espécie de hominídeo. No entanto, somos a única espécie humana que sobreviveu, e não se sabe ao certo como as demais se extinguiram.

“Houve uma série de argumentos sobre o que aconteceu com estas espécies”, diz o pesquisador. “Alguns pensam que elas foram mortas por nós, mas agora podemos ver que não é tão simples assim”. Frantz explica que, com toda a probabilidade, alguns Neandertais viveram em certas populações humanas e compartilharam suas vidas diárias. Então, pensar que a humanidade fez de tudo para destruir tudo o que era diferente da nossa espécie está, pelo menos parcialmente, incorreto.
 
Fonte: https://hypescience.com/

Um laboratório onde líquidos fluem para cima e sólidos atravessam um ao outro

Por séculos, artistas e ilusionistas convenceram as massas de que é possível negar a gravidade ou atravessar paredes. Platéias antigas surpreendiam-se com truques de levitação que envolviam mulheres voando em cima de mesas. Mesmo antes disso, inventores faziam marketing dos seus produtos tentando vender máquinas que faziam coisas impossíveis. Até hoje, alguns mágicos ainda fazem anéis sólidos entrar um no outro etc. Mas isso tudo é truque barato perto do que o mundo real tem a oferecer.

Resfrie um pedaço de metal ou um recipiente de hélio até quase o zero absoluto e, nas condições certas, você verá o metal levitar sobre um ímã, hélio líquido subindo as paredes ou sólidos se atravessando. “Nós adoramos observar esses fenômenos no laboratório”, afirma o cientista Ed Hinds.

Mas a esquisitice não é apenas entretenimento. Desses estranhos acontecimentos nós podemos provocar toda a química e biologia, encontrar salvação para nossa crise energética e talvez até revelar a natureza do universo.

Bem-vindo a um mundo incrível

Esse mundo é frio. Só existe a poucos graus do zero absoluto, a menor temperatura possível. Apesar de você imaginar que pouca coisa acontece nesse frio, este é um mundo selvagem, quase surreal.

Uma maneira de cruzar esse limiar é resfriar hélio líquido até um pouco acima de -271.15 Celsius. A primeira coisa que você irá notar é que pode girar o hélio, e ele vai continuar girando. Isso porque ele agora é um “superfluido”, um estado líquido sem viscosidade. Outra interessante propriedade do superfluido é que ele sobe pelas paredes do recipiente.

Apesar de fascinantes, esses prodígios que desafiam a gravidade talvez não sejam tão úteis. Porém, as estranhas propriedades térmicas do hélio superfluido até que têm algum uso prático.

Pegue um líquido normal da geladeira e ele vai esquentar. No caso de um superfluido, essas leis não funcionam. Pesquisadores que trabalham no Grande Colisor de Hádrons (GCH) usam essa propriedade para acelerar raios de prótons. Eles passam 120 toneladas de hélio superfluido ao redor dos 27 quilômetros do acelerador para resfriar os milhares de ímãs que guiam os raios.

Hélio líquido comum iria esquentar consideravelmente se usado dessa forma, mas as extraordinárias propriedades da versão superfluida faz com que a temperatura suba menos do que 0,1 Celsius por quilometro do arco. Sem os superfluidos, seria impossível que a máquina preferida entre muitos físicos funcionasse.

Aliás, os ímãs do GCH também têm superpropriedades. Eles são feitos dos primos dos superfluidos, os supercondutores.
Quando a temperatura começa a se aproximar do zero absoluto, muitos metais perdem toda a resistência à eletricidade. Não é apenas uma redução gradual, mas uma queda dramática a uma temperatura específica. Isso acontece em um ponto diferente para cada metal, e revela um poderoso fenômeno.

Muito pouca energia é necessária para que os supercondutores carreguem grandes cargas, o que significa que eles geram poderosos campos magnéticos – por isso sua presença no GCH. E assim como um superfluido roda sem parar, um circuito elétrico em um supercondutor nunca acaba. Isso os torna perfeitos para transportar energia ou armazená-la.

Os cabos usados para transmitir eletricidade dos geradores até as casas perdem cerca de 10% da energia carregada na forma de calor, devido à resistência elétrica. Os cabos supercondutores iriam perder 0%.

Armazenar energia nesse caso seria ainda mais interessante. Fontes renováveis, como a vinda do sol, do vento ou das ondas, iriam conseguir um avanço incrível. Se os supercondutores fossem usados para guardar o excesso produzido, a demanda das fontes seria reduzida, e os problemas energéticos mundiais seriam bem reduzidos.

E nós já estamos colocando supercondutores para trabalhar. Na China e Japão, trens experimentais usam outra qualidade do mundo supercondutor: o efeito Meissner.

Solte um pedaço de supercondutor em cima de um ímã e ele vai deslizar por cima, ao invés de cair. Isso porque o ímã induz correntes no supercondutor que criam seu próprio campo magnético, em oposição ao do ímã. A repulsão mútua mantém o supercondutor no ar. Coloque um trem em cima disso e você tem a base certa para levitar – um sistema de transportes sem fricção. Esses trens magnéticos não usam metais supercondutores por ser muito caro mantê-los resfriados; ao invés disso, eles usam cerâmicas que conseguem superconduzir a temperaturas mais altas, tornando o processo muito mais fácil e barato de ser resfriado com nitrogênio líquido.

Uma história de duas partículas

São comportamentos estranhos esses, não? Tanto a superfluidez quanto a supercondutividade são produtos do mundo quântico. Imagine que você tem duas partículas idênticas, e você troca a posição delas. O sistema físico parece o mesmo, e responde de maneira igual. Mas, de acordo com a mecânica quântica, uma partícula pode existir em vários lugares e se mover em mais de uma direção ao mesmo tempo.

No século passado, teóricos demonstraram que as propriedades físicas de um objeto quântico dependem da soma de todas essas possibilidades para dar a probabilidade de encontrá-lo em determinado estado. Existem dois resultados dessa soma, um onde o fator fase é 1 e outro é -1. Esse número representam dois tipo de partículas, os bóson e os férmions.

A diferença entre eles fica clara em baixas temperaturas. Isso porque quando se retira toda a energia termal, quando está próximo do zero absoluto, não existem muitos estados energéticos disponíveis. As únicas possibilidades nas equações teóricas quânticas são as mudanças de posições das partículas.

Mudar o bóson dá uma mudança de fase 1. Usando as equações para as propriedades dos bósons, se descobre que seus estados se revelam de uma maneira direta, ou seja, existe alta probabilidade de encontrar bósons indistintos no mesmo estado quântico.

Em 1924, Albert Einstein e Satyendra Bose sugeriram que, em temperaturas muito baixas, os corpos de bósons indistinguíveis iriam se aglutinar e funcionar como um objeto único, hoje conhecido como condensado de Bose-Einstein, ou CBE.

Átomos de hélio são bósons, e a sua formação em CBEs é o que gera o superfluido. Você pode imaginar o hélio CBE como um átomo gigante em um estado energético quântico mais baixo. Suas estranhas propriedades derivam disso.

A falta de viscosidade, por exemplo, deriva do fato de que existe um espaço muito grande entre esse estado energético e o próximo possível. A viscosidade é simplesmente a dissipação de energia por fricção, mas já que CBE está no estado energético mais baixo possível, não há como perdê-la. Apenas adicionando muita energia você consegue tirar um líquido do estado de superfluidez.

Supercondutores também são CBEs. Aqui, entretanto, existe uma complicação porque os elétrons, as partículas responsáveis pela condutividade elétrica, são férmions.

Férmions são solitários. Trocá-los de lugar é como por a mão esquerda na direita – as coisas não parecem as mesmas. Matematicamente, essa ação introduz uma mudança de fase -1 na equação que descreve suas propriedades. O resultado quando se soma todos os estados é zero. E há probabilidade zero de encontrá-los no mesmo estado quântico.

Nós deveríamos ficar felizes com isso: é a razão da nossa existência. Toda a base da química reside nesse princípio de que férmions idênticos não podem estar no mesmo estado quântico. Isso força os elétrons do átomo a ocupar posições mais e mais longes do núcleo. Isso os deixa com uma pequena atração aos prótons centrais, liberando-os para outras atividades químicas. Sem o sinal negativo gerado pela mudança de posição dos elétrons, não existiriam estrelas, planetas ou vida.

Então como elétrons em supercondutores formam os CBEs? Em 1956, Leon Cooper demonstrou como elétrons que se movem em um metal podem se juntar em pares e adquirir características de um bóson. Se todos os elétrons de um cristal metálico formarem pares Cooper, esses bósons iram se juntar, formando uma partícula gigante – um CBE.

A maior consequência disso é a inexistência de resistência elétrica. Em metais comuns, a resistência acontece devido a elétrons que se deparam com os íons do objeto. Mas uma vez que ele se torna um supercondutor, o par de elétrons se condensa no estado mais baixo possível. Assim não há energia dissipada, e uma vez que os pares Cooper foram feitos para fluir em uma corrente elétrica, eles simplesmente continuam correndo. A única forma de atrapalhar a supercondutividade sem aumentar a temperatura é adicionando energia de outra forma, como um campo magnético muito forte.

Apesar dos superfluidos e condutores serem bem bizarros, eles não são o limite do mundo quântico. “Existe ainda outro nível de complexidade”, comenta Ed Hinds. Ele vem quando se brinca abaixo de -272,15 Celsius e a mais de 25 vezes a pressão atmosférica da Terra. Nesse ponto o hélio fica sólido – e destrói nossas noções de solidez. Nas condições certas, você pode fazer sólidos atravessarem um o outro, como fantasmas.

Esse efeito foi observado pela primeira vez em 2004, por Moses Chan e Eunseong Kim, da Pensilvânia. Eles colocaram o hélio sólido em uma cuba que podia se mover rapidamente para frente e para traz, gerando oscilações no sólido. Eles observaram uma frequência vibracional ressonante, interpretada como indicativo de que havia dois sólidos ali, passando um pelo outro.

Obviamente, os dois sólidos não combinam com nossas definições tradicionais. Um deles era “vago”, criado quando os átomos de hélio ficavam livres do entrelaçamento que forma o hélio sólido. Esses espaços têm as propriedades de uma partícula real – são tão reais que seus estados quânticos podem se unir para formar um CBE. O hélio sólido também é um CBE, e são esses dois condensados que se atravessam.

As observações de Chan e Kim ainda são um pouco controversas; alguns pesquisadores pensam que existe uma explicação melhor que envolve deformações e defeitos na malha do hélio. “Existe muita atividade, várias noções teóricas e experimentos, mas nenhum consenso”, comenta o cientista Robert Hallock.

Não por menos, o simples fato de ser possível criar sólidos que não são exatamente sólidos mostra como as “supercoisas” são interessantes. E tudo, desde os seres humanos até fenômenos estranhos a baixas temperaturas, é derivado do fato de que existem dois tipos de partículas: as que gostam de socializar, e as que não gostam. Soa familiar? Talvez o mundo quântico não seja tão diferente de nós.

Superátomos extremos

Superfluidos, supercondutores e supersólidos têm seu comportamento bizarro devido à formação de algum tipo de superátomo dentro deles, o já comentado Condensado de Bose-Einstein (CBE).

Mas seria possível criar tal estado fora de um líquido ou sólido? Levou muitos anos de pesquisa, mas uma equipe do Colorado conseguiu, em 1995, transformar um gás de rubídio em CBE, o estado quântico mais baixo possível. Pelo feito, os líderes da equipe, Carl Wieman e Eric Cornell, em conjunto com o pesquisador Wolfgang Ketterle, ganharam o Nobel de Física em 2001.

Quando Wieman e Cornell fizeram o condensado, o laboratório se tornou brevemente o local mais frio do universo: cerca de 20 nano Celsius abaixo do zero absoluto.

No ano passado, o telescópio de raios-X Chandra descobriu que o núcleo de uma estrela de nêutrons, chamada de Cassiopeia A, há 11 mil anos-luz da Terra, é um superfluido. Uma colher de chá do material de uma estrela desse tipo pesa seis bilhões de toneladas, e a pressão das camadas externas é suficiente para tornar o núcleo um CBE. E, apesar do nome, o centro de uma estrela de nêutrons não é formado exclusivamente por nêutrons: ele contém uma porção de prótons também, que formam um CBE. Você pode enxergar esse fenômeno como um superfluido ou, devido aos prótons que carregam cargas elétricas, um supercondutor. 
 
Fonte: http://www.newscientist.com/

O Universo está em constante expansão, e deve se tornar um “deserto”

Uma “lente galáctica” revelou que o Universo provavelmente irá se expandir para sempre. Os astrônomos usaram os rastros de luz de estrelas distantes, que são distorcidos por um aglomerado galáctico conhecido como “Abell 1689”, para descobrir a quantidade de energia escura no cosmos.

A energia escura é uma força misteriosa que acelera a expansão do Universo. Compreender a distribuição dessa força revelou que o provável destino do Universo é se expandir até, segundo os pesquisadores, se tornar um deserto, frio e morto.

A energia escura compõe três quartos de nosso Universo, mas é totalmente invisível. Só sabemos que ela existe devido ao seu efeito sobre a expansão do Universo.

Abell 1689, descoberto na constelação de Virgem, é um dos maiores aglomerados galácticos conhecidos pela ciência. Devido à sua enorme massa, ele faz com que a luz se curve à sua volta. A maneira com que a luz é distorcida por essa lente cósmica depende de três fatores: do quão longe o objeto distante está, da massa de Abell 1689, e da distribuição da energia escura.

Conhecer a distribuição da energia escura diz aos astrônomos que o universo vai continuar a ficar cada vez maior a tempo indefinido. Eis que o destino de nosso universo já foi revelado: eventualmente ele irá se tornar um deserto com uma temperatura próxima ao que os cientistas chamam de “zero absoluto”.
 
Fonte: http://www.bbc.co.uk/

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Descoberta nova partícula exótica que é uma forma inteiramente nova da matéria

Você deve se lembrar do Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o acelerador de partículas responsável por uma das mais incríveis descobertas da ciência, e em particular da física: o bóson de Higgs.

Não cansado de procurar novas partículas, o acelerador continua funcionando, e agora encontrou o que parece ser uma forma inteiramente nova da matéria: uma nova classe de partículas subatômicas, ou hádrons exóticos.

Uma série de experimentos no LHC, no laboratório CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), confirmou que uma nova partícula chamada Z(4430) existe, e que é a melhor evidência até agora de uma nova forma de matéria chamada “tetraquark”.

Quarks são partículas subatômicas que se combinam para formar toda a matéria. Em pares, formam mésons; em trios, prótons e nêutrons. Tetraquarks é uma hipotética combinação de quatro quarks, e Z(4430) é um exemplo do que esse conjunto formaria. Mas, até então, ninguém sabia ao certo se Z(4430) realmente existia ou não.

Não restam muitas dúvidas agora: os pesquisadores do CERN descobriram 4.000 das partículas, o que significa que Z(4430) é real. No entanto, mais pesquisa precisa ser feita para compreendermos definitivamente se Z(4430) é, com 100% de certeza, um tetraquark, e exatamente o que isso significa para nós.

A descoberta

O LHC, com 27 quilômetros de circunferência, possui quatro grandes detectores. Você provavelmente já ouviu falar do ATLAS e do CMS, responsáveis pela descoberta do bóson de Higgs, mas existem também o ALICE (que estuda plasma quark-glúon) e o LHCb (que estuda a relação estranha entre matéria e antimatéria).

Hádrons, tais como prótons e nêutrons, são feitos de quarks. O LHC, como o próprio nome indica, colide prótons uns aos outros em energias muito altas, quebrando-os em quarks.

Historicamente, existem apenas dois tipos de hádrons – bárions, que consistem em três quarks, e mésons, que consistem em dois quarks. Agora, o LHCb sugere a existência de um terceiro tipo de hádron, exótico: o tetraquark.

A partícula aparentemente composta de quatro quarks levou o nome oficial de Z (4430), o que significa que tem uma massa de 4430 MeV (1 MeV é 1 milhão de elétrons-volt), ou cerca de quatro vezes maior que a de um próton.

O futuro

Além da descoberta, não parece haver muito a se dizer – ninguém parece entender completamente o significado deste achado ainda. Mas o estudo dessa nova partícula, bem como de outras, vai melhorar muito em breve.

No início de 2015, o LHC terá quase o dobro de poder de colisão, o que os cientistas esperam que lhes permita investigar mais profundamente o bóson de Higgs, a teoria da supersimetria e outras descobertas.

O LHC deve estar de volta em ação e pronto para esmagar prótons com energia de até 13 teraelétrons-volts (TeV, ou trilhões de elétrons-volt), ou seis vezes mais o poder de qualquer outro acelerador de partículas.

Fontes: http://gizmodo.com/
            http://www.extremetech.com/extreme/

10 perguntas que não podemos responder sobre o corpo humano

Todos os dias a gente lê sobre alguns avanços absolutamente incríveis – e quase inacreditáveis – da ciência. Coisas como o robô canguru, que dá saltos irrepreensíveis e promete ajudar a desenvolver melhores formas de controlar equipamentos em fábricas, as gaiolas de DNA e a prótese de crânio feita em plástico por uma impressora 3D também entram para a lista de algumas das coisas que nos deixam maravilhados com o que a ciência é capaz de fazer.

Mas, apesar de darmos tantos saltos, em tantas direções, algumas perguntas a respeito do corpo humano permanecem sem explicação. Por exemplo:

10. Por que nós temos impressões digitais?

Apesar todo mundo saber como as impressões digitais são úteis, por serem únicas e nos fornecerem um sistema de identificação infalível, a ciência não tem certeza absoluta de por que elas existem. Alguns cientistas têm projetado modelos de computador elaborados para determinar como elas se formam, mas, apesar de entenderem como crescem, não nos dão uma compreensão sobre a razão evolucionária da existência dessa característica. Alguns pesquisadores, contudo, podem estar mais perto de um avanço.

Para entender porque as impressões digitais existem, eles foram estudar casos de pessoas com uma desordem genética muito rara, chamada adermatoglifia, que afeta apenas algumas famílias em todo o mundo e cujos portadores não têm impressões digitais. Além do efeito colateral incomum de suar um pouco menos, essas pessoas parecem não ser nem mais nem menos saudáveis ​​do que todos os outros.

Os pesquisadores estão esperançosos de que, estudando essas famílias e seus genes, eles possam finalmente resolver o mistério evolutivo de impressões digitais.

9. O que os “lactobacilos vivos” fazem?

Se você vive neste planeta, provavelmente já viu algum comercial que usa a palavra “lactobacilo” para persuadir mais consumidores. No caso do famoso Yakult, por exemplo, a marca anuncia que o produto tem “lactobacilos vivos”, destinados a melhorar sua saúde de uma maneira geral. Enquanto isso soa como algo inovador, a verdade é que os lactobacilos são um tipo de boas bactéria já que vivem em todo o seu intestino. E, estranhamente, os fabricantes de produtos como o Yakult não dizem o que especificamente essas culturas vivas podem fazer em prol da sua saúde.

E a razão pela qual ninguém anuncia um benefício específico é que ninguém realmente sabe quais eles são. Os lactobacilos vivos certamente não fazem mal nenhum, mas os cientistas estão apenas começando a desvendar os benefícios que eles podem trazer à nossa saúde. Eles suspeitam que se puderem determinar a finalidade de todas as várias bactérias boas que vivem em seres humanos, eles poderiam ser capazes de responder a todos os tipos de outras questões e tratar muitas doenças. Resolver esse enigma provavelmente será uma longa jornada.

8. Por que nós temos diferentes tipos de sangue?

Você provavelmente sabe que os seres humanos possuem tipos sanguíneos diferentes e, se você já fez a boa ação de doar sangue, provavelmente também sabe qual é o seu. Aliás, se você não sabe, procure saber qual é, porque essa informação é extremamente valiosa, especialmente em uma situação de emergência. Receber sangue do tipo errado pode até colocar sua vida em risco.

Como os tipos de sangue evoluíram há 20 milhões de anos, a ciência certamente tem muito o que aprender sobre esse assunto ainda. Contudo, apesar de sabermos como eles funcionam, não sabemos realmente por que eles existem.

Tipos sanguíneos são categorizados pelos diferentes antígenos encontrados nas células do sangue de pessoas de cada tipo. Estes antígenos são sinais para anticorpos que destroem as células estranhas no corpo. Ou seja: os anticorpos não vão causar nenhum problema para os antígenos do tipo correto, mas irão atacam intrusos de tipos sanguíneos diferentes, rejeitando sangues que não sejam compatíveis.

Essa é a parte que os cientistas entendem. Mas não sabemos qual é o propósito desses antígenos. O melhor palpite até agora é que ele tem alguma coisa a ver com doenças. Os cientistas descobriram, por exemplo, que as pessoas com sangue tipo B podem ser mais propensas a serem incomodadas por E. coli, enquanto que aqueles que não fazem parte deste grupo sanguíneo estão perto de serem imunes a uma forma de malária. Embora seja difícil ter certeza do motivo, talvez grupos sanguíneos evoluíram como uma forma de combater doenças infecciosas.

7. O cérebro permanece ativo depois de uma decapitação?

Geralmente, em histórias de ficção, quando uma pessoa é decapitada, ela passa alguns instantes terríveis e aterrorizantes ainda consciente, e algumas vezes até pisca para fazer a gente perder ainda mais o sono. Mas apesar de essas coisas parecerem lenda urbana, a verdade é que não temos certeza de quanto tempo o cérebro pode ficar ativo para dizer se esses roteiros têm ou não fundamento. E um detalhe crucial que dificulta a pesquisa para desvendar esse mistério é que os cientistas não podem sair por aí cortando a cabeça das pessoas para saber o que acontece. A única oportunidade real de coleta de dados foi durante a Revolução Francesa, quando a guilhotina foi o principal método de execução.

Mas mesmo com vários experimentos realizados, só há uma tentativa documentada de comunicar o que acontece imediatamente após a decapitação, e os créditos são de um pesquisador chamado Dr. Gabriel Beaurieux. Depois de chamar várias vezes o nome de um homem que havia sido decapitado, seus olhos se abriram e aparentaram se concentrar brevemente antes de fechar uma última vez. O médico, então, chegou à conclusão de que algumas funções menores permanecem ativas por cerca de 30 segundos após a decapitação, mas ele não foi capaz de determinar se a consciência em si permanece ativa.

6. Os humanos têm feromônios?

Farejar em busca de feromônios, especialmente para fins de reprodução, tem sido um comportamento muito observado no reino animal. Isso despertou a curiosidade nos pesquisadores para estudar o possível papel que eles desempenham nas interações humanas, e os resultados têm sido muitas vezes mais confusos do que qualquer outra coisa.

Enquanto muitos estudos têm mostrado que os seres humanos são afetados pelo cheiro, o negócio de feromônios é ligeiramente mais complicado. Por um tempo, os cientistas estavam certos de que não tínhamos sequer um órgão vomeronasal, que é o órgão olfativo que os animais usam para detectar feromônios. Nós temos um muito pequeno, mas não está claro se ele realmente faz alguma coisa. O que a ciência tem mostrado com clareza é que os seres humanos têm os seus próprios cheiros exclusivos, que são provavelmente influenciados geneticamente, assim como as impressões digitais. Por exemplo, bebês muito jovens podem identificar suas mães pelo cheiro, e exposição regular ao cheiro um do outro pode sincronizar um grupo de ciclos menstruais das mulheres. Conclusão: claramente, ainda há muito o que aprender sobre o olfato humano.

5. O que acontece quando uma pessoa é atingida por um raio?

Se você já esteve na rua durante uma tempestade, especialmente perto qualquer coisa de metal, ou uma árvore, provavelmente você já pensou sobre o risco de ser atingido por um raio. É uma ideia bastante assustadora, ainda mais sabendo que se isso acontecer, você pode acabar com danos cerebrais permanentes, ou queimaduras gravíssimas, ou até mesmo passar dessa para uma melhor. No entanto, apesar do que parece uma lesão horrível, a maioria das vítimas sobrevivem. Alguns até saem completamente ilesos dessa experiência que tem tudo para ser traumática – e os cientistas não fazem a menor ideia do por quê.

Em uma tentativa de entender melhor essa questão, os pesquisadores foram para a África do Sul, onde as trovoadas são mais comuns e altamente perigosas. Lá, eles descobriram que o raio tem a sua própria maneira de viajar através de nossos corpos e passaram a acreditar que isso tem a ver com a incrível quantidade de energia que passa por nós em um curto espaço de tempo. Há muitas perguntas ainda a responder, mas a expectativa é que, quando as respostas chegarem, vidas poderão ser salvas.

4. Como uma mulher pode não saber que está grávida?

Existem vários casos desses. Uma mulher começa a se sentir muito mal, vai para o hospital, e na verdade estava grávida, está prestes a ter um bebê e não fazia a menor ideia. Todo mundo fica com a mesma pergunta na cabeça: COMO ASSIM?

Parece no mínimo estranho uma mulher afirmar que é pega de surpresa quando um ser humano sai de seu próprio corpo. Mas, acredite, acontece. E como é um fenômeno muito raro, é extremamente difícil de estudá-lo a fundo para entender melhor como é possível algo assim acontecer. No entanto, os pesquisadores têm algumas dicas. Um dos motivos que leva uma mulher a não saber que está grávida é ela estar acima do peso – o que significar que ela não pode ganhar muitos mais quilos, e o crescimento de um bebê pode acabar passando despercebido. E aí você pergunta: mas e quando o ciclo menstrual fica interrompido? Pois é, algumas mulheres que estão acima do peso não têm ciclos regulares, e podem ficar longos períodos sem menstruar sem estarem de fato grávidas. Então, esse “sinal de gravidez” também passa despercebido. A verdade é que os médicos ainda estão confusos a respeito de como isso de fato pode acontecer.

3. Como as mitocôndrias funcionam?

As mitocôndrias são uma parte essencial dos nossos corpos. Seu propósito é converter todas as coisas que consumimos em energia para que o nosso organismo funcione. Mas, a verdade é que, durante muito tempo, não sabíamos quase nada sobre as organelas microscópicas, e a ciência tem evoluído com passos largos na compreensão desses organismos. Recentemente, os cientistas descobriram como mitocôndrias transferem energia. Eles também aprenderam que elas realmente gostam muito de cálcio, o que às vezes pode causar problemas.

Se as mitocôndrias absorverem cálcio em excesso, pode matar as células, e isso inclusive tem sido associado a doenças como a diabetes do tipo 2. Os pesquisadores acreditam que essas doenças afetam o processo de sinalização pelo qual o corpo diz às mitocôndrias quanto de cálcio devem absorver ou rejeitar. Uma equipe da Harvard conseguiu recentemente catalogar todas as proteínas da mitocôndria, incluindo todos aquelas envolvidas no processo de ingestão de cálcio. Embora ainda não sejam completamente compreendidas, as mitocôndrias são um mistério que em breve pode estar completamente resolvido.

2. Por que temos três ossos no ouvido?

Nosso ouvido é formado por três dos menores ossos de todo o corpo humano. Eles são conhecidos como martelo, bigorna e estribo. Até aí, nada fora do normal. Mas as coisas começam a mudar um pouco quando um pesquisador de Stanford, no Estados Unidos, chamado Sunil Puria apontou que, enquanto nós e outros mamíferos possuímos 3 ossos no ouvido, os répteis e aves têm apenas dois, e ninguém entende o porquê dessa diferença.

A melhor teoria de Puria envolve uma estranha doença chamada deiscência do canal semicircular, que pode levar a uma diminuição do tecido no canal do ouvido, o que faz com que as pessoas comecem a ouvir sons que elas normalmente não percebem, como o seu próprio batimento cardíaco. Já pensou? Ouvir todos os barulhos do seu corpo funcionando? Seria no mínimo enlouquecedor. Puria defende, então, que esse terceiro osso seria um mecanismo para minimizar nossa sensibilidade a esses sons, o que de fato colabora muito com a manutenção da nossa sanidade mental. Mas ainda falta muito trabalho para tirar maiores conclusões.

1. Que tipos de bactérias vivem em nossas línguas?

A boca humana não parece ser um prato cheio para a realização de muito novos estudos, não é? Afinal, sabemos o que os dentes são e como eles funcionam. Entendemos as gengivas e temos um bom controle sobre nosso paladar. Mas o fato é que a língua pode ser um verdadeiro baú do tesouro para novas descobertas.

Médicos de todo o mundo dariam muitas coisas para ter em suas mãos todas as bactérias que vivem na língua humana, para que pudessem estudá-las a fundo, compreender melhor seus comportamentos e funções e quem sabe até salvar mais vidas com as informações descobertas. O problema é que a maioria dessas bactérias não cresce em uma Placa de Petri – peça de vidro ou plástico que cientistas utilizam em laboratórios para fazer a cultura de microrganismos.

Isso complica bastante o processo. Esta falta de entendimento tem provado ser um grande obstáculo para o tratamento de doenças da gengiva, como periodontite. Os médicos não têm nenhuma maneira fácil de tratar a condição, pois muitas bactérias diferentes estão envolvidas, e eles entendem muito pouco sobre elas.

Fonte: http://listverse.com/

Detonando o mito do som maravilhoso dos violinos antigos (que custam milhões de dólares)

É uma conclusão dada como certa no mundo do violino: os melhores foram feitos há cerca de 300 anos por mestres italianos como Stradivari e Guarneri del Gesù. Claro, existem excelentes violinos modernos, mas nada que se compare com a magia de um Stradivarius que vale milhões. Certo?

Errado. Quando as luzes se apagam e os músicos vestem óculos escuros, a primeira escolha dos solistas é de longe um instrumento novo. Esse foi o resultado de um estudo feito por Claudia Fritz, da Universidade Pierre e Marie, na França, em conjunto com Joseph Curtin, um fabricante de violino americano.

Na pesquisa, violinistas internacionalmente reconhecidos não conseguiram distinguir entre instrumentos antigos e novos (acertam 31 das vezes, erraram 33 das vezes, um resultado ao acaso), e muitos escolheram um novo instrumento como seu favorito durante o “concerto às cegas”.

Em duas partes

Em 2010, os pesquisadores pediram que 21 músicos colocassem um óculos que obscurecia a visão e experimentassem três novos violinos e três velhos, durante uma competição internacional em Indiana (EUA). Treze escolheram um novo violino como seu favorito; o menos favorito dos seis foi um Stradivarius.

Os resultados levaram a muitas queixas de violinistas, que disseram que as condições de teste foram irrealistas – por exemplo, que os violinos foram tocados em um quarto de hotel.

Para o novo estudo, muitas melhorias foram feitas. Havia 12 instrumentos, seis antigos e seis novos, com os novos modificados para parecer mais velhos. Os violinistas, 10 solistas profissionais, tiveram mais tempo: 75 minutos em uma sala de ensaio e 75 minutos em uma sala de concertos com 300 lugares, ambas em Paris.

Eles usaram seus próprios arcos, compararam os violinos do teste com o seu próprio, e puderam optar por ter um ouvinte fornecendo feedback e um piano acompanhante. Em um certo ponto, uma orquestra acompanhou-os; os resultados desse segmento serão publicados em um estudo posterior.

Seis solistas escolheram um novo violino para uma turnê teórica. Um novo violino em particular, com um som alto e assertivo, foi favorecido por quatro, talvez porque, como solistas, eles pensavam em projetar o som através de uma orquestra.

Os solistas avaliaram os novos violinos de forma superior, em média, em quesitos como tocabilidade, articulação e projeção.

“As qualidades que eles estão procurando no instrumento realmente se dividem igualmente entre novos e velhos”, disse Curtin.

Ainda assim, vários violinistas, incluindo os participantes do estudo, afirmaram que seria simplista concluir que um violino novo pode ser igual a um velho, cheio de história.

Yi-Jia Susanne Hou, do Canadá, escolheu um novo violino durante a maior parte do estudo. Ainda assim, ela disse que preferia os velhos porque eles “ressoavam com o som de cada músico [que já o tocou]” ao longo dos séculos.

Elmar Oliveira escolheu um novo violino, convencido de que era um Stradivarius. Embora ele toque regularmente um instrumentos moderno que custa modestos US$ 10.000 (cerca de R$ 20 mil), diz que “a única coisa que você não pode colocar em um novo violino é que ele tenha sido tocado por 300 anos – estes instrumentos mudam e se desenvolvem”.

Já Giora Schmidt, outro participante do estudo, disse que o frescor de novos violinos é justamente seu apelo. “Instrumentos mais velhos às vezes podem soar cansados só pelo grande número de anos que tem sido tocados. Com um novo violino, você pode colocar a sua impressão digital nele imediatamente, porque ele não tem essas camadas”, comentou.

Ninguém duvida que instrumentos modernos têm suas qualidades, mas o estudo, apesar de bastante rigoroso, não conseguiu convencer os violinistas a abandonar sua antiga crença na superioridade dos consumados violinos italianos (até porque não era uma crença científica, e sim quase “mágica”, como apontado no primeiro parágrafo desse texto).
“Eu não conheço nenhum grande solista que tem um Strad ou Guarneri que pensa em trocar para um novo instrumento”, afirmou Earl Carlyss, um membro de longa data do Quarteto de Cordas da Juilliard School.

Segundo a pesquisadora principal, Claudia Fritz, o objetivo do estudo não era destruir o Stradivarius, que é claramente um belo instrumento. A ideia era mostrar que jovens solistas podem fazer carreira sem ter um instrumento de idade. “Você pode tocar incrivelmente bem sem ter um Strad”, diz.
 
Fontes: http://www.nytimes.com/
            http://phys.org/news/

A insaciável devoradora de galáxias


A imagem acima mostra duas galáxias contrastantes: NGC 1316 e sua vizinha menor, NGC 1317. As duas estão muito próximas no espaço, mas são muito diferentes.

A pequena galáxia espiral NGC 1317 tem levado uma vida monótona, enquanto a NGC 1316 tem engolido várias outras galáxias em sua história violenta.

Foi através dessas “cicatrizes de batalha” que os cientistas descobriram mais sobre a devoradora de galáxias. Várias pistas na estrutura da NGC 1316 revelam que seu passado foi turbulento. Por exemplo, ela tem algumas faixas de poeira incomuns embutidas dentro de um “envelope” muito maior de estrelas, e uma população de aglomerados estelares globulares extraordinariamente pequenos. Isso tudo sugere que ela pode já ter engolido uma galáxia espiral cerca de três bilhões de anos atrás.

Ao redor da NGC 1316, também é possível ver “pedaços” de estrelas que foram arrancadas de seus locais originais e arremessadas para o espaço intergaláctico. Isso ocorreu por conta de efeitos gravitacionais complexos sobre as órbitas das estrelas, quando uma outra galáxia chegou muito perto.

Todos estes sinais apontam para um passado obscuro, durante o qual NGC 1316 anexou outras galáxias, e indicam que seu comportamento é contínuo – é uma galáxia insaciável.

NGC 1316 está localizada a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação do sul de Fornax (A Fornalha). Ela também tem o nome de Fornax A, refletindo o fato de que é a fonte mais brilhante de emissões de rádio na constelação. Na verdade, ela é a quarta fonte de rádio mais brilhante no céu inteiro. Esta emissão de rádio é impulsionada por material que cai no buraco negro supermassivo no centro da galáxia.

A imagem muito detalhada acima foi feita pelo telescópio MPG/ESO de 2.2 metros da Agência Espacial Europeia (ESO), no Observatório de La Silla, no Chile. Ela foi criada pela combinação de muitas fotografias individuais do arquivo da ESO.

O objetivo das observações originais era revelar as características mais fracas e estudar a perturbação deste sistema interessante. Como um bônus, a foto também fornece uma vista para o universo longínquo, muito além das duas galáxias no primeiro plano: a maioria dos pontos difusos no retrato são galáxias muito mais distantes. Há uma concentração particularmente densa logo à esquerda de NGC 1316.

Fonte: http://phys.org/news/

Hubble captura incríveis ecos de luz em estrela distante


Uma das coisas boas de viver com a cabeça no mundo da lua é que, de tempos em tempos, você pode fazer descobertas e ver algumas coisas bastante incríveis. Pelo menos esse é o caso dos astrônomos da NASA.

Uma das imagens captadas usando o famoso Telescópio Espacial Hubble foram da estrela RS Puppis, um tipo de estrela conhecida como Cefeida.

As Cefeidas são uma classe de estrelas conhecidas por terem uma intensidade luminosidade, que varia de acordo com um padrão previsível. Geralmente, elas são supergigantes e, acredite, mais brilhantes que o próprio sol. No caso da RS Pup – apelido carinhoso usado entre os cientistas -, a estrela é mais de 200 vezes maior que o sol e algo em torno de 15 mil vezes mais brilhante.
A RS Pup tem mais um fator interessante: ela está incomumente envolta por densas nuvens de uma poeira escura, que acabam permitindo a visualização do fenômeno conhecido como “eco de luz” com uma clareza impressionante.

Para trazer essas imagens até nós, a equipe de astrônomos da NASA usou o Hubble para observar a estrela ao longo de um período de cinco semanas, em 2010. Durante esse tempo, o telescópio capturou imagens de diferentes estágios do ciclo da estrela, permitindo a criação de um vídeo em time-lapse que você pode ver aqui.

Conforme a RS Puppis expandia e brilhava, os astrônomos puderam ver um pouco dessa luz refletida a partir de ondas de poeira e gás que se formaram na nebulosa que está em torno da estrela, criando a ilusão de que esses gases estariam saindo do corpo celeste – quando, na verdade, estavam lá o tempo todo.

Mas, além desse efeito de “eco de luz” ser certamente surpreendente e interessante por si só, existe outra razão científica para observar estrelas Cefeidas. O período de suas pulsações é conhecido por ser conectado diretamente ao seu brilho intrínseco, uma propriedade que permite aos astrônomos usá-las como marcadores de distância cósmica.

Há alguns anos, cientistas usaram o eco de luz formado em torno da RS Puppis para medir a distância que essa estrela está da Terra, obtendo uma medida mais precisa do real distanciamento entre a Cefeida e nós. Dessa forma, estudar estrelas como esta pode ajudar os cientistas a medir e compreender a grande escala do universo. 

Fontes:  http://io9.com/
             http://www.sci-news.com/astronomy/