quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O que vai acontecer quando todas as estrelas morrerem?

Você com certeza já ouviu falar que nós somos feitos de poeira estelar. Quando o famoso astrônomo Carl Sagan disse isso pela primeira vez, apesar de usar um tom poético, estava falando sobre algo que é literalmente verdadeiro: somos formados de pó de estrela. 

Esse não é um conceito novo, mas é muitas vezes difícil de entender exatamente como acabamos com partículas de estrelas velhas dentro de nós.

A astrônoma da NASA, Dra. Michelle Thaller, resolveu explicar habilmente como cada átomo em nosso corpo (e na tabela periódica) foi processado dentro de uma estrela no momento anterior à sua morte violenta.

O universo começou somente com o átomo mais simples que existe, o hidrogênio. A única coisa que pode aumentar um átomo é uma estrela.

Uma estrela é uma nuvem de poeira que está colapsando sob a força da gravidade. Quando gás é comprimido junto, aquece. A certa temperatura quente o suficiente, ocorre uma reação de fusão nuclear. Essa fusão é o que “suporta” a estrela e não a deixa colidir.

No caso de uma estrela muito massiva, a reação usa mais e mais hidrogênio, e a força da gravidade continua atuando sobre ela, de maneira que ela esquenta e cria coisas como carbono, oxigênio, nitrogênio, até chegar ao elemento ferro.

Nesse ponto, ao invés de liberar a energia, a estrela a absorve. Chega uma hora que o objeto não aguenta e colapsa, criando o incrível evento que representa a “morte” da estrela, conhecido como supernova.

Essa explosão cria todos os elementos (além do ferro), como ouro, prata, chumbo e urânio. Uma única estrela, no momento de sua morte, brilha tanto quanto uma galáxia inteira, com centenas de bilhões de estrelas.

O nosso corpo é isso – esse instante de morte das estrelas. Tudo que o forma, incluindo o ferro que corre em nosso sangue, veio das estrelas, uma vez que se tornaram supernovas.

Ou seja, cada átomo de seu corpo foi produzido no espaço há milhões de anos. O hidrogênio data do Big Bang, nos primórdios do universo, 13,7 bilhões de anos atrás, e todo o resto – como os já citados carbono, oxigênio, nitrogênio etc – nasceu da fundição de estrelas há mais de 4,5 bilhões de anos.

Essa história de “somos todos pó de estrela” é muita inspiradora, mas também um pouco preocupante. Por quê?

Porque estrelas não são eternas. Um dia, elas vão se queimar completamente. Lembra do hidrogênio e de como ele é essencial para criar aquela nuvem que forma as estrelas? Bem, esse “combustível” não é perpétuo, já está acabando e, eventualmente, todas as estrelas que conhecemos vão morrer.

Tudo bem, isso ainda vai demorar alguns trilhões de anos, mas essa hora vai chegar. E o que vai acontecer? Bom, o universo vai ficar escuro pelo resto da eternidade (seja lá o que isso significa).

Doideira, não? Quando paramos para pensar sobre isso, temos que reconhecer que estamos realmente vivendo no Éden agora. Esse paraíso regado ao calor do sol, água líquida e estrelas formando coisas é só um minúsculo capítulo do enorme livro que é o mundo, e somos muito, mas muito mesmo, sortudos de estar aqui agora.
Fonte: http://sciencealert.com.au/

Encontrado “elo perdido” que pode solucionar o enigma dos primeiros brasileiros

Um esqueleto datando de mais de 12.000 anos atrás está ajudando a resolver um mistério: o de como os primeiros seres humanos chegaram nas Américas e adquiriram a aparência que hoje têm.

Os antropólogos se intrigavam com a ideia dos nativos americanos não se parecerem muito com seus ancestrais, que migraram para as Américas durante o Pleistoceno, época que englobou a última idade do gelo e terminou cerca de 12.000 anos atrás.

Os crânios antigos são maiores, com rostos mais estreitos e mais “para frente”, e se parecem mais com os povos nativos da África, Austrália e sul da costa do Pacífico do que com seus supostos descendentes americanos.

Os pesquisadores não sabiam se essas diferenças eram o produto de mudanças evolutivas nas populações que chegaram aqui, ou se os paleoamericanos, os primeiros habitantes das Américas, foram substituídos por outra população com mais recursos e mais parecida com os nativos americanos posteriores.

Agora, uma equipe liderada pelo arqueólogo James Chatters relatou na revista Science a descoberta do mais antigo e completo esqueleto já encontrado nas Américas, com idade entre 12 e 13 mil anos. O esqueleto contém características craniofaciais de antigos paleoamericanos, bem como DNA mitocondrial possuído pelos modernos nativos americanos.

A descoberta

O esqueleto, apelidado de “Naia” (nome grego antigo relacionado com ninfas de água), pertencia a uma adolescente que caiu mais de 30 metros dentro de uma elaborada rede de cavernas cársticas que estavam em grande parte secas no final do Pleistoceno.

Os mergulhadores que encontraram Naia na caverna da península mexicana de Yucatán nomearam a sepultura de Hoyo Negro (“buraco negro”, em espanhol).

O rosto de Naia é estreito com olhos bem-definidos, uma testa proeminente baixa, um nariz achatado e dentes que se projetam para fora – o oposto do que os nativos americanos se parecem hoje. Mas seu DNA conta outra história.

“Esta é a primeira vez que temos dados genéticos de um esqueleto que apresenta estas características faciais”, disse Deborah Bolnick, geneticista antropológica da Universidade do Texas em Austin (EUA) e uma das coautoras do estudo.

História (e por que o Brasil está nela)

Análises genéticas dos modernos nativos americanos indicam que eles descendem de uma população fundadora que se originou na Ásia. Eles foram isolados de outros grupos populacionais durante milhares de anos em algum lugar dentro ou perto da região conhecida como Beríngia, uma ampla faixa de terra que ia da Sibéria ao Alasca durante o último máximo glacial.

Foi lá que essa população fundadora da América desenvolveu seus marcadores genéticos únicos.

Essa teoria, chamada de teoria mongólica, dita, então, que o homem americano migrou para a América há cerca de 15.000 anos através do Estreito de Bering. Os primeiros povos que migraram para cá, por sua vez, originaram todos os povos americanos, incluindo os nativos índios do Brasil.

Alguns cientistas argumentam que o ameríndio possui origem múltipla, migrando não só através da Beríngia, como também das Ilhas do Pacífico, oriundos da Polinésia e Austrália. Já outros debatem essa ideia dizendo que o houve, na verdade, foram ondas sucessivas de imigrações.

Um trabalho científico de dois geneticistas brasileiros, Sérgio Danilo Pena e Fabrício Santos, publicado na revista Science em março de 1999, confirma o parentesco genético entre tribos de seis países americanos (Brasil, Peru, Argentina, Colômbia, México e Estados Unidos) e um pequeno povoado nas Montanhas Altai, localizado entre a Sibéria, Rússia e Mongólia. Este trabalho foi apresentado como prova irrefutável da origem asiática dos ameríndios, os quais penetraram o continente pelo Estreito de Bering.

Somos um só

A descoberta de Hoyo Negro segue o sequenciamento genômico recente dos restos de uma criança de 12.600 anos de idade encontrada em Montana (EUA), que também revelou uma ancestralidade comum com os nativos americanos.

Até as novas descobertas, no entanto, poucos dados genéticos de esqueletos paleoamericanos estavam disponíveis, deixando a sua relação com os nativos americanos mal compreendida.

Os dados genéticos da descoberta de Montana são superiores aos de Hoyo Negro porque são derivados do DNA mitocondrial e nuclear, fornecendo uma raiz muito mais abrangente do que apenas o DNA mitocondrial, que traça somente linhagens maternas. A desvantagem do espécime de Montana é que ele é muito menos completo: foram encontrados apenas quatro ossos e uma porção da caixa craniana.

“Agora temos dois espécimes a partir de um ancestral comum que veio da Ásia”, disse Michael Waters, da Universidades Texas A & M (EUA). “Eles são complementares e mostram que os paleoamericanos são geneticamente relacionados aos povos indígenas, de modo que eles não são uma população de substituição. Suas diferenças têm de ser resultado de uma mudança evolutiva. O que levou a essa mudança, nós não sabemos”.

Chatters especula que a morfologia dos antigos americanos pode ter mudado conforme suas condições de vida mudaram.

Logo que os caçadores-coletores altamente móveis tornaram-se mais estáveis, os processos evolutivos podem ter selecionado traços mais domésticos, resultando nas características arredondadas e suaves vistas nos rostos dos nativos americanos.

“Você começa a ver essas formas mais domésticas quando as mulheres têm mais controle sobre o fornecimento de alimentos, quando não são tão dependentes de homens agressivos”, diz Chatters.

Ele acrescentou que esse processo de retenção de alguns traços juvenis pode ser visto em populações em todo o Hemisfério Norte entre o final do Pleistoceno e os tempos modernos.

As evidências são fortes…

Em 2007, ao explorar e mapear o sistema de cavernas mexicanas Sac Actun, os mergulhadores descobriram um conjunto de ossos na parte inferior de uma câmara enorme. Os ossos incluíam os de felinos com dente de sabre extintos, preguiças gigantes e outros animais do Pleistoceno, bem como esqueleto de Naia.

A menina estava provavelmente em busca de água. “A água teria sido escassa naquele período. Não existem lagos e rios na região, assim as pessoas e os animais tinham que se aventurar em cavernas”, especula o arqueólogo Dominique Rissolo.

Naia foi encontrada com uma bacia quebrada, provavelmente a partir do impacto da queda. Ela também mostra sinais de cáries e osteoporose, talvez como resultado de engravidar em uma idade precoce, antes de atingir a maturidade física completa.

A submersão da caverna entre 10.000 e 4.000 anos atrás ajudou a preservar o esqueleto de Naia, e a falta de deposição de sedimentos deixaram seus ossos à vista clara para os mergulhadores. “Ela está muito mineralizada, o que é ótimo para obter medidas esqueléticas”, disse Rissolo. “Mas, para datar, é uma situação completamente diferente”.

Sem qualquer colágeno ósseo para datação por radiocarbono, a equipe triangulou a idade do esqueleto determinando a idade de cristais de calcita conhecidos como “florzinhas” crescendo sobre os ossos de Naia, e estudando fezes de morcego nas proximidades e o esmalte dos dentes da Naia.

Tudo isso, juntamente com os restos animais da era do Pleistoceno nas proximidades e as estimativas de quando a caverna teria inundado, levaram a equipe a concluir que ela tinha pelo menos 12.000 anos, talvez mais perto de 13.000.

…mas descarte a certeza

De acordo com David Meltzer da Universidade Southern Methodist, no Texas (EUA), variações físicas existem em qualquer população e a amostra que temos (apenas dois indivíduos, sendo que um não está completo) é muito pequena.

“Imagine analisar uma dúzia de crânios de Nova York, eles não seriam muito parecidos. Temos que ser muito cuidadosos ao tirar conclusões baseadas em amostras relativamente pequenas. Isso é verdade para a anatomia do esqueleto, e é verdade para a genética”, argumentou.

Os pesquisadores agora esperam sequenciar todo o genoma de Naia. “A tecnologia atual permite isso, mas ainda será um desafio”, disse Brian Kemp, antropólogo molecular na Universidade Estadual de Washington (EUA).

Eles também esperam encontrar mais esqueletos que apoiem suas conclusões. “Você não prova um argumento baseado apenas em um exemplo, na ciência”, disse Chatters.
 
Fonte: https://hypescience.com/

Espermatozóide gigante fossilizado é o mais antigo do mundo



Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) encontraram espermatozoides gigantes preservados de minúsculos camarões que viveram pelo menos 17 milhões de anos atrás em Riversleigh, na Austrália, um assentamento pré-histórico listado como Patrimônio Mundial da Humanidade.

Os espermatozoides eram provavelmente maiores do que todo o corpo do macho, e foram encontrados fortemente enrolados dentro dos órgãos sexuais dos crustáceos de água doce fossilizados, conhecidos como ostracodes.

“Estes são os espermas fossilizados mais antigos já encontrados”, disse o professor Mike Archer, da Universidade de Nova Gales do Sul. “Os depósitos fósseis em Riversleigh foram o local da descoberta de muitos animais australianos pré-históricos extraordinários, como ornitorrincos gigantes dentados e cangurus comedores de carne. Então, nos acostumamos a surpresas deliciosamente inesperadas lá”.

De fato, a descoberta de esperma com núcleos espermáticos fossilizados foi totalmente inesperada.

Análise detalhada do espermatozóide gigante

A equipe liderada pelo professor Archer recolheu os ostracodes fósseis de Riversleigh em 1988. Eles foram enviados para John Neil, um pesquisador especialista nesses animais da Universidade La Trobe (Austrália), que percebeu que eles continham tecidos moles fossilizados.

Assim, chamou a atenção de especialistas europeus, incluindo o autor principal do artigo, o Dr. Renate Matzke-Karasz da Universidade de Munique Ludwig-Maximilians (Alemanha), que examinou as amostras com o Dr. Paul Tafforeau no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), em Grenoble (França).

O estudo microscópico revelou que os fósseis continham órgãos internos preservados, incluindo os sexuais. Dentro, estavam espermatozoides gigantes quase perfeitamente preservados com seus núcleos que uma vez guardaram os cromossomos e DNA dos animais.

Os órgãos sexuais utilizados para transferir o esperma gigante para o sexo feminino também estavam preservados.

Os pesquisadores estimam que o esperma fóssil tenha cerca de 1,3 milímetros de comprimento, aproximadamente o mesmo comprimento ou um pouco maior do que o próprio ostracode.

Preservação por cocô

Cerca de 17 milhões de anos atrás, o local da descoberta era uma caverna no meio de uma vasta floresta tropical. Ostracodes prosperavam em uma poça de água na caverna que era continuamente enriquecida por excrementos de milhares de morcegos.

Suzanne Hand, da Universidade de Nova Gales do Sul, uma especialista em morcegos extintos e seu papel ecológico em ambientes antigos de Riversleigh, diz que os animais poderiam ter desempenhado um papel na preservação extraordinária dos espermatozoides dos ostracodes.

A chuva constante de cocô de milhares de morcegos na caverna teria levado a altos níveis de fósforo na água, o que pode ter ajudado a mineralização dos tecidos moles.

“Esta descoberta surpreendente em Riversleigh é ecoada por alguns exemplos de preservação de tecidos moles em depósitos ricos em fósseis de morcegos na França. Portanto, a chave para a preservação eterna dos tecidos moles pode ser algum ingrediente mágico nas fezes de morcegos”, conclui Hand.

Fontes: http://gizmodo.com/
             http://www.sciencedaily.com/

Prodígio de 11 anos cria desenhos incríveis com flora e fauna anatomicamente corretas

O artista sérvio Dušan Krtolica é provavelmente o próximo grande prodígio de que ouvimos falar. O garoto, de apenas 11 anos, é um mestre com o lápis, desenhando uma grande variedade de flora e fauna anatomicamente corretas com um nível muito além de sua idade.

Krtolica desenha desde que tinha dois anos. Quando completou oito, já tinha tido duas exposições nacionais exclusivas, algo que muitos bons artistas adultos não conseguiram.

O jovem tem um forte fascínio pela natureza, dado que a maioria de seus belos desenhos são cheios de inúmeras espécies diferentes de plantas e animais.

Como muitos meninos de sua idade, ele também adora dinossauros e outras espécies extintas, de forma que não limita suas aventuras artísticas a seres vivos – antigas aves que não voavam e os primeiros mamíferos também preenchem suas bonitas paisagens fictícias.

Tendo em vista esse gosto pelo mundo natural, faz sentido que Krtolica queira ser zoólogo quando crescer. “Eu teria estudado os animais e publicado um livro sobre eles, mas vou desenhar todos eles”, disse o artista.

Com essa idade, ele ainda terá muitas oportunidades para mudar de ideia, mas, seja qual for a profissão que seguir, esperamos que ele continue nutrindo seu talento incrível e levando-o para o mundo todo como faz hoje.
 
Fonte: http://www.boredpanda.com/

Super simulação cria o primeiro universo virtual realista

Ainda não é uma Matrix, mas parece que os astrônomos estão no caminho certo. Eles criaram o primeiro universo virtual realista usando uma simulação de computador chamada “Illustris”. Este programa fantástico pode recriar 13 bilhões de anos de evolução cósmica em um cubo de 350 milhões de anos-luz de lado com uma resolução sem precedentes.

O primeiro universo virtual realista

“Até agora, nenhuma simulação tinha sido capaz de reproduzir o universo em pequenas e grandes escalas simultaneamente”, disse Mark Vogelsberger, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e do CFA (Centro de Astrofísica Harvard – Smithsoniano, em tradução livre), ambos nos Estados Unidos, que conduziu o trabalho em colaboração com pesquisadores de várias instituições, incluindo o Instituto Heidelberg para Estudos Teóricos na Alemanha.

Os resultados foram relatados na edição de 8 de maio da revista Nature. As tentativas anteriores para simular o universo foram prejudicadas pela falta de poder de computação e pelas complexidades da física subjacente. Como resultado, esses programas foram limitados em resolução ou forçados a se concentrar em uma pequena parte do universo. Simulações anteriores também tiveram problemas na modelagem das complexas formações de estrelas, explosões de supernovas e buracos negros supermassivos.

O Illustris emprega um sofisticado programa de computador para recriar a evolução do universo em alta fidelidade. Ele inclui tanto a matéria normal quanto a matéria escura usando 12 bilhões de pixels 3D.

A equipe dedicou cinco anos para o desenvolvimento do programa. Os cálculos reais levaram 3 meses de “tempo de execução”, usando um total de 8.000 CPUs que trabalharam em paralelo. Se eles tivessem usado um computador comum, os cálculos teriam levado mais de 2.000 anos para serem concluídos.

A simulação de computador começa apenas 12 milhões de anos após o Big Bang. Até chegar aos dia de hoje, os astrônomos contaram mais de 41.000 galáxias no espaço simulado. Importante: o Illustris tem uma mistura realista de galáxias espirais como a Via Láctea e galáxias elípticas, com o formato de uma bola de futebol americano. Ele também recriou estruturas em larga escala, como aglomerados de galáxias e as bolhas e vazios da teia cósmica. Em pequena escala, foram recriadas com precisão as químicas de galáxias individuais.

Como a luz viaja a uma velocidade fixa, quanto mais longe os astrônomos olham, mais para trás no tempo eles podem ver. Uma galáxia de um bilhão de anos-luz é vista como era bilhões de anos atrás. Telescópios como o Hubble podem nos dar uma vista do início do universo, observando maiores distâncias. No entanto, os astrônomos não podem usar o Hubble para acompanhar a evolução de uma única galáxia ao longo do tempo.

“O Illustris é como uma máquina do tempo. Nós podemos ir para a frente e para trás. Nós podemos pausar a simulação e dar zoom em uma única galáxia ou aglomerado de galáxias para ver o que está acontecendo lá”, comemora o coautor Genel Shy, do CFA. 
 
Fonte: http://www.sciencedaily.com/

Um conceito bizarro sobre a luz e o tempo que vai bugar seu cérebro

Você já notou que o tempo voa quando você está se divertindo? Bem, não para a luz. Na verdade, os fótons não sentem a ação do tempo em nenhuma situação. Não entendeu? Aqui está um conceito alucinante que deve deixar o seu cérebro em pedaços.

O jornalista de astronomia Fraser Cain e a astrofísica Pamela Gay têm um podcast chamado Astronomy Cast, e cada semana discutem as mais diversas questões. Em um dos programas, estavam falando sobre fótons quando ela soltou a bomba: fótons não experimentam o tempo.

Vamos tentar pensar sobre essa ideia do ponto de vista de um fóton: este tal de tempo não existe. Um fóton é emitido e pode existir por centenas de trilhões de anos, mas, para ele, não há tempo decorrido entre o momento em que foi primeiro emitido e quando foi absorvido novamente. Ah! Ele também não sabe o que é distância.

Já que os fótons não podem pensar, não temos que nos preocupar muito com o seu horror existencial de não experimentar nem o tempo, nem a distância. Porém, tais informações nos dizem muito sobre como eles estão ligados entre si. Através de sua Teoria da Relatividade, Einstein nos ajudou a entender como o tempo e a distância são conectados.

Vamos fazer uma rápida revisão. Se você quer viajar para algum ponto distante no espaço, e viajamos cada vez mais rápido, à medida que nos aproximamos da velocidade da luz, nossos relógios desaceleram em relação a um observador na Terra. E, ainda assim, chegamos ao nosso destino mais rapidamente do que seria de se esperar. Claro, a nossa massa aumenta e há uma enorme quantidade de energia envolvida, mas, para este exemplo, vamos simplesmente ignorar tudo isso.

Se pudesse viajar a uma aceleração constante de 1 g (de força-g, igual a 9,806 65 m/s², aproximadamente o valor da aceleração da gravidade terrestre), você poderia cruzar bilhões de anos-luz em uma única geração humana. Os seus amigos, em casa, teriam experimentado bilhões de anos em sua ausência, mas, como no caso do aumento da massa e da energia requerida, não vamos nos preocupar com eles.

Quanto mais perto você chega da velocidade da luz, menos você experimenta o tempo e a distância. Você deve se lembrar que esses números começam a se aproximar de zero. De acordo com a relatividade, a massa não pode mover-se através do universo na velocidade da luz; a massa irá aumentar até ao infinito e a quantidade de energia necessária para movê-la mais rápido também será infinita. Contudo, para a própria luz – que obviamente já está se movendo na velocidade da luz – os números não se aproximam, mas sim chegam a zero distância e zero tempo.

Fótons podem levar centenas de milhares de anos para viajar do núcleo do sol até que atinjam a superfície e voem para o espaço. E, no entanto, aquela jornada final, que poderia levar bilhões de anos-luz através do espaço, não foi diferente de saltar de um átomo para outro.
 
Fonte: http://phys.org/

Por que o tempo avança para o futuro?

Quase nada é mais óbvio do que o fato de que o tempo flui do passado (que nos lembramos) para o futuro (que não temos). Os cientistas e os filósofos chamam isso de “seta psicológica do tempo”. O café quente deixado em sua mesa esfria, e nunca se aquece por conta própria, o que reflete a “seta termodinâmica do tempo”.

Em um trabalho publicado na revista “Physical Review E”, dois físicos argumentam que essas duas noções independentes de tempo – uma com base na psicologia e uma baseada na termodinâmica – sempre devem alinhar-se.

Os princípios da termodinâmica mostram que grandes coleções de partículas, como os trilhões de trilhões de moléculas de líquido em um copo de café, sempre se movem em direção a arranjos mais desorganizados. Por exemplo, as moléculas de água quente aglutinadas em uma sala fria precisam de muita organização, então bebidas quentes eventualmente esfriam até atingir a temperatura ambiente. Os físicos dizem que tais arranjos desorganizados têm alta entropia, enquanto arranjos organizados têm baixa entropia.

No entanto, as equações que os físicos usam para descrever os movimentos simultâneos de um grande número de partículas são igualmente válidas se o tempo corre para a frente ou para trás. Por isso, quase todo o complexo arranjo da matéria vai ganhar entropia não importa em que direção o tempo flua.

O nosso universo aparentemente começou com o Big Bang, que era uma combinação especial de baixa entropia. Isso dá origem a seta termodinâmica do tempo, conforme os cosmólogos observam, uma vez que o universo está evoluindo de um passado de baixa entropia para um futuro de maior entropia.

Todd Brun, físico da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles (EUA), afirma que ambas as setas do tempo são tão intuitivas que é difícil perceber a sua distinção.

No século passado, físicos e filósofos começaram a tentar unir as setas termodinâmica e psicológica. Muitos pesquisadores observaram que os objetos do mundo real que armazenam memórias – como os cérebros humanos e discos rígidos de computadores – muitas vezes aquecem conforme operam. A geração de calor aumenta a entropia e é um processo irreversível, por isso, as leis da termodinâmica exigem que tais objetos só possam ser executados em uma direção: do passado para o futuro.

Mas as lembranças não precisam gerar calor, apontam Brun e o físico Leonard Mlodinow, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Por exemplo, ondas na lagoa registram uma pedra caindo na água, e ainda poderiam, em princípio, fazer o sentido inverso. Os pesquisadores se perguntaram, tal memória poderia lembrar o futuro ao invés do passado?

Para responder a esta pergunta, Mlodinow e Brun conduziram o que é conhecido como um experimento de pensamento. Eles imaginaram um sistema em que uma câmara cheia de partículas quicando é ligada a uma câmara vazia quase do mesmo tamanho, por um túnel através do qual as partículas podem passar uma de cada vez – uma configuração de baixa entropia semelhante à concentração de matéria no início universo. Embora as partículas possam atravessar de um recipiente para o outro, a termodinâmica garante que, eventualmente, as duas câmaras vão conter números aproximadamente iguais de partículas.

Se um rotor está configurado para girar cada vez que uma partícula passa através do túnel, e cada volta do rotor é registrada, este registro iria mostrar o arranjo de partículas em qualquer momento no passado. Contudo, de acordo com as leis do movimento, as localizações futuras das partículas são completamente determinadas por suas trajetórias atuais, e se em algum momento o fluxo do tempo fosse invertido, as partículas iriam retornar à sua configuração inicial de baixa entropia. Assim, os autores escrevem que o rotor pode ser visto como uma gravação também do futuro do sistema – uma particularidade apontada mais de 200 anos atrás pelo matemático francês Pierre-Simon de Laplace.

Mas Mlodinow e Brun dizem que há um porém. Se fosse para ajustar apenas um pouco o estado futuro do sistema, alterando a posição ou a velocidade de uma ou mais partículas, e depois executá-lo na ordem reversa, o sistema já não diminuiria em entropia: aumentaria.

As partículas começariam a se mover como filme sendo reproduzido ao contrário, mas, em qualquer caso, exceto nos sistemas mais simples, as partículas alteradas logo colidiriam com as outras e causariam uma reação em cadeia. Qualquer registro do sistema em breve já não se assemelharia ao quadro correspondente do filme original.

Apenas a organização exata das partículas resultantes de um estado inicial de baixa entropia pode evoluir de trás para frente no tempo para chegar a um estado com um alto grau de ordem como esse, escrevem os autores. Mesmo reorganizações menores no sistema, não importa o quão semelhantes, irão, ao invés disso, evoluir de trás para frente em direção a maior entropia. Em outras palavras, para qualquer condição inicial, o rotor será capaz de “lembrar” apenas um futuro que não viola a seta termodinâmica do tempo.

Os pesquisadores argumentam que esta especificidade contradiz a definição de uma memória. Eles explicam que a memória deve ser capaz de incluir todas as maneiras pelas quais um sistema pode evoluir e não apenas uma em particular. Por exemplo, seu cérebro será capaz de gravar praticamente qualquer série de eventos que acontecem com você nas próximas três horas. Se fosse capaz de gravar apenas uma determinada série de eventos, como um velocímetro preso em uma velocidade, seu cérebro não teria uma memória funcional. Devido a esse requisito, até mesmo uma memória simples e reversível pode gravar apenas o passado termodinâmico e não o futuro.

Segundo Craig Callender, filósofo de física na Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), com a sua experiência de pensamento, Mlodinow e Brun criaram uma definição nova e útil de uma memória. “É novo no sentido de que eles estão realmente construindo em uma condição para o que a memória seja”, afirma.

Lorenzo Maccone, da Universidade de Pavia (Itália), concorda que a pesquisa dos autores levanta um ponto importante, argumentando que mesmo uma memória reversível deve ter uma seta do tempo. Porém, ele acha que o experimento dos autores não descreve exatamente como o rotor iria gravar as futuras configurações das partículas. Sem tal descrição, Maccone alega não estar completamente convencido da explicação oferecida pela dupla.

Andreas Albrecht, cosmologista da Universidade da Califórnia em Davis (EUA), queria que os autores tivessem questionado as premissas por trás da seta termodinâmica do tempo. Em um artigo recentemente publicado no portal arxiv.org, Albrecht argumentou que pode haver maneiras de obter uma seta termodinâmica sem a necessidade de que toda a matéria do universo comece em uma combinação altamente incomum. Ao tomar esta combinação como um dado, Mlodinow e Brun teriam perdido uma oportunidade de explorar outras configurações iniciais possíveis. “[O estudo] aproxima-se tanto de questões [cosmológicas] incrivelmente interessantes e, em seguida, apenas passa por elas”, critica Albrecht.
 
Fonte: http://www.insidescience.org/

Somos os mais fracos humanos que já habitaram a Terra

Como classe, somos os seres humanos mais fracos que já andaram no planeta. De acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Cambridge (Reino Unido), a tecnologia pode ser a responsável por nos tornar mais lentos e fracos que todos os nossos antepassados.

Muitos aborígines australianos pré-históricos poderiam ultrapassar o recordista mundial Usain Bolt, nas condições atuais. Alguns tutsis, povo da Ruanda, já superaram o recorde mundial de salto em altura de 2,45 metros durante cerimônias de iniciação nas quais eles tinham que saltar pelo menos a sua própria altura para avançar para a idade adulta. Qualquer mulher Neandertal poderia ter ganhado uma queda de braço contra Arnold Schwarzenegger.

Por que somos tão fracos?

Segundo a pesquisadora Alison Macintosh, a evolução provocou mudanças na divisão do trabalho e na organização socioeconômica. Conforme homens e mulheres começaram a se especializar em determinadas tarefas e atividades, como o trabalho com metal e cerâmica, a produção agrícola e a criação de gado, isso afetou a mobilidade e força dos humanos modernos.

A pesquisa

Macintosh monitorou as alterações na estrutura óssea ao longo do tempo em esqueletos encontrados em cemitérios na Europa Central. O mais antigo datava de 5.300 aC e o mais recente de 850 dC.

A sua equipe chegou à conclusão de que os humanos modernos mostram um declínio na “mobilidade e resistência”, especialmente os homens.

A cientista descobriu que a mobilidade dos primeiros agricultores – 7.300 anos atrás – estava a nível de estudantes que são corredores profissionais hoje. Em pouco mais de três mil anos, nossa mobilidade foi reduzida para o nível de estudantes classificados como sedentários.

A teoria para explicar isso é que, com o tempo, nossos ossos da perna mudaram devido à atividade menos intensa.

“Ambos os sexos apresentaram uma queda em ântero-posterior, uma queda de fortalecimento do fêmur e da tíbia através do tempo, enquanto que a capacidade das tíbias masculinas de resistir à flexão, torção, compressão e caiu também”, disse Macintosh.

Ela acrescentou que, conforme os seres humanos fizeram a transição para a agricultura na Europa Central, a necessidade de viagens de longa distância e do trabalho físico pesado diminuiu. “À medida que as pessoas começaram a se especializar em outras tarefas, poucas estavam fazendo regularmente atividades que eram muito extenuantes para suas pernas”, afirma.

Os ossos das pernas das mulheres mostraram alguma evidência de mobilidade em declínio, mas essas tendências eram “inconsistentes”.

Ela acha que a variação pode ser devido ao fato de que as mulheres têm realizado mais “multitarefas” ao longo do tempo. Macintosh disse que havia evidência em dois dos mais antigos esqueletos femininos usados para análise de que elas realizaram tarefas com os dentes, o que significa que podem não ter feito trabalhos que requeriam ossos da perna mais fortes.

Perda explicável

De acordo com o Macintosh, os ossos são extremamente plásticos e respondem com uma rapidez surpreendente a mudanças.

Quando estão sob estresse, como longas caminhadas ou corridas, os ossos se tornam mais fortes, e fibras são adicionadas ou redistribuídas onde são mais precisas.

Macintosh afirma que, na Europa Central, a tecnologia e o aumento da especialização teve um grande impacto na nossa força nas pernas. “À medida que mais e mais pessoas começaram a fazer uma ampla variedade de atividades, menos pessoas precisaram ser altamente móveis, e com a inovação tecnológica, as tarefas fisicamente extenuantes foram provavelmente facilitadas”, disse. “O resultado global é uma redução na mobilidade da população como um todo, acompanhada por uma redução na força dos ossos dos membros inferiores”.

Os incríveis humanos do passado

Um novo livro, “Manthropology: The Science of the Inadequate Modern Male” (algo como “Homemtropologia: A Ciência do Inadequado Humano Moderno”, em tradução livre), escrito pelo antropólogo australiano Peter McAllister, concorda bastante com a pesquisa de Macintosh.

Na obra, McAllister fala sobre estudos que chegaram a conclusões sobre a velocidade de aborígines australianos 20.000 anos atrás, baseadas em um conjunto de pegadas de seis homens perseguindo uma presa. Uma análise levou os cientistas a estimar que os aborígenes corriam a uma velocidade de 37 quilômetros por hora por um lago lamacento. Bolt, por comparação, atingiu uma velocidade máxima de 42 quilômetros por hora durante seu recorde no 100 metros na Olimpíada de Pequim.

McAllister afirma que, com treinamento e sapatos modernos em uma faixa de corrida, os caçadores aborígines poderiam ter alcançado velocidades de 45 quilômetros por hora. “Se eles podem fazer 37 quilômetros por hora em terreno muito macio, suspeito que há uma forte probabilidade de que eles teriam superado Usain Bolt se tivessem todas as vantagens que ele tem hoje”, diz.

Aliás, essa é só uma evidência de pegadas fossilizadas, do que poderiam nem mesmo ser os mais rápidos caçadores aborígenes da época.

Passando para o salto em altura, McAllister afirma no livro que fotografias tiradas por um antropólogo alemão mostram jovens africanos saltando alturas de até 2,52 metros nos primeiros anos do século passado.

“Era um ritual de iniciação, todo mundo tinha que fazer isso. Eles tinham que ser capazes de saltar a sua própria altura para avançar para a masculinidade”, conta. “Era algo que eles faziam o tempo todo e tinham vidas muito ativas a partir de uma idade muito precoce. Eles desenvolveram habilidades fenomenais no salto”.

Além disso, McAllister escreve que uma mulher Neandertal tinha 10% mais massa muscular do que o homem europeu moderno. Se treinada corretamente, ela teria alcançado 90% do volume de Schwarzenegger em seu auge na década de 1970. “Mas, por causa da peculiaridade de sua fisiologia, com um braço inferior muito mais curto, ela iria ganhar dele à mesa sem nenhum problema”, explica.

Muitos outros exemplos são dados no “Manthropology”. Por exemplo, legiões romanas completavam mais de uma maratona e meia por dia transportando mais de metade do seu peso em equipamentos, enquanto Atenas teve 30.000 remadores que podiam superar as conquistas de todos os remadores modernos.

McAllister apoia a mesma teoria de Macintosh sobre o declínio humano. “Nós simplesmente não somos mais expostos às mesmas cargas ou desafios que as pessoas no passado antigo e mesmo no passado recente eram expostas. Mesmo nossos atletas de elite não chegam perto de replicar isso. Estamos tão inativos desde a revolução industrial que realmente retrocedemos em robustez”.
 
Fontes: http://www.voanews.com/
            http://www.independent.co.uk/news/science/

10 fenômenos misteriosos do cérebro que ainda estamos começando a entender

Todo mundo sabe o que é deja vu, mas esse não é o único fenômeno misterioso relacionado ao cérebro que vivenciamos todos os dias. Nosso cérebro é um órgão incrível, mas muito difícil de estudar, e só com os avanços científicos relativamente recentes temos sido capazes de examinar fenômenos mentais comuns, mas extremamente bizarros, como os a seguir:

10. Lavagem cerebral

Lavagem cerebral é a prática de mudar completamente a forma como uma pessoa pensa ou no que ela acredita, utilizando técnicas hostis. Muitas vezes usada em prisioneiros de guerra, vítimas de sequestro, e outros em situação parecida, a lavagem cerebral praticamente depende das pessoas estarem em uma posição de subserviência. Envolve a destruição de tudo o que a vítima acredita sobre si mesma. É uma estranha combinação de abuso físico e mental, juntamente com a promessa de salvação, que cria as condições ideais para essa manipulação. Uma vez que a pessoa acredita que está absolutamente errada em todos os sentidos, a ficha fica “limpa” para que ela seja reconstruída. Também existem outros tipos de lavagem cerebral que são menos óbvios, e acontecem todos os dias, como as propagandas, que são projetadas para serem manipuladoras e mudar sua maneira de pensar. Até mesmo os amigos que tentam manipulá-lo a fazer algo praticam uma forma leve de lavagem cerebral.

Pouca coisa se sabe sobre como ela realmente funciona e quão bem sucedidas diferentes técnicas são, porque replicá-las em um ambiente formal de investigação é considerado altamente antiético, por razões óbvias. Grande parte do que sabemos sobre a lavagem cerebral e seus métodos vem de entrevistas com prisioneiros de guerra, mas ainda há muito em debate. Uma teoria geral, no entanto, é que a eficácia da lavagem parece depender muito da autoconsciência e força de caráter de uma pessoa.

9. Prosopagnosia

Prosopagnosia, também chamada de “cegueira para feições”, é uma condição que deixa seus portadores incapazes de reconhecer ou identificar rostos, mesmo os de amigos, parentes e seu próprio. Também pode se manifestar como dificuldade em identificar expressões faciais, em julgar a idade de uma pessoa, ou em fazer contato visual. Aqueles que têm a doença também têm dificuldades de processamento e de recordar outros tipos de memórias visuais, como a identificação de pontos de referência e reconhecimento de objetos inanimados associados a uma pessoa (como um carro ou uma casa). Podem até ter dificuldade em identificar um animal.

Por um longo tempo, a prosopagnosia foi muito mal compreendida. Cientistas pensavam que ela era resultado de um ferimento na cabeça traumático, mas agora sabemos que cerca de 2% da população nasce com a doença. Acredita-se que prosopagnosia congênita é causada por um defeito de desenvolvimento na parte do cérebro responsável por “arquivar” rostos para referência futura, o giro fusiforme. Mesmo com esse entendimento melhorado, a prosopagnosia ainda é muito difícil de diagnosticar, porque os portadores da condição muitas vezes encontram maneiras de compensar a sua incapacidade de reconhecer rostos, gravando vozes, por exemplo.

8. Efeito coquetel

O efeito coquetel é a nossa capacidade inata de separar informação importante do ruído de fundo, como manter uma conversa com uma única pessoa no meio de uma sala lotada. Este fenômeno tem sido difícil de estudar porque monitorar os caminhos exatos de resposta neurológica a qualquer estímulo particular é complicado, mas a ciência está começando a fazer progresso. Em uma busca para saber mais sobre o fenômeno, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco (EUA) colocaram uma rede de sensores eletrônicos diretamente nos cérebros de pacientes programados para receber uma cirurgia para epilepsia grave. Os pacientes, então, ouviram uma conversa barulhenta enquanto os computadores registravam sua atividade cerebral. Os pesquisadores não só foram capazes de determinar o que estava sendo ouvido, mas puderam mostrar que o cérebro só detectou os padrões de fala relevantes. Em vez de filtrar outras informações como conversas de fundo ou música, o complexo auditivo do cérebro simplesmente as ignorou. Estes resultados podem ser úteis para o tratamento de problemas associados com o autismo e transtornos de processamento de informações.

7. Efeito Tetris

O fenômeno chamado de efeito Tetris é o que acontece quando você passa tanto tempo em uma atividade durante o dia, especificamente uma repetitiva como jogar Tetris, que você sonha com ela à noite. Há uma razão muito boa para isso, e não é um sinal de que você está exagerando em alguma coisa. Pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (EUA) queriam testar a hipótese de que quando você está sonhando com coisas que fez durante o dia, seu cérebro está aproveitando o tempo de inatividade associado com o sono para reforçar comportamentos que foram aprendidos enquanto você estava acordado. Os participantes em seu estudo foram instruídos a jogar Tetris durante várias horas por dia. Na segunda noite do experimento, a maioria dos participantes relatou sonhar com os blocos familiares. Pesquisadores concluíram que, durante o primeiro dia, o cérebro não reconheceu imediatamente que havia uma necessidade de aprender algo novo, mas a repetição foi uma “chave” que acionou o processamento de informações elevado durante o sono. Um grupo, constituído por ambos novatos e jogadores experientes, apresentou melhora considerável de um dia para o outro. Outro grupo, composto de pessoas que sofrem de perda de memória de curto prazo, não apresentou melhora, o que sugere que os nossos sonhos com Tetris não são um sinal de um vício, e sim apenas o nosso cérebro continuando a aprender enquanto o resto do nosso corpo se desliga para a noite.

6. Apofenia

Apofenia, ou pareidolia, é o termo técnico para o fato de vermos um padrão onde não existe nenhum. É o que nossos cérebros fazem quando vemos uma mancha de água que se parece com a Virgem Maria, ou quando sentamos na grama e ficamos procurando formas conhecidas em nuvens.

O fenômeno foi descoberto de maneira acidental. O psicólogo letão Konstantins Raudive estava gravando o que ele chamava de “conversas com espíritos”, algo que o resto do mundo chama de “estática”. Enquanto alguns cientistas estavam menos do que convencidos pelas alegações de Raudive de que ele havia se treinado para ouvir comunicações espíritas nessas gravações, outros acabaram percebendo que o que o psicólogo estava ilustrando era a tendência dos nossos cérebros de organizar e processar a informação de uma forma que faça sentido para nós. A nossa sobrevivência como espécie conta com a nossa capacidade de reunir informações e criar um “resumo” que contenha uma “conclusão”. Essa capacidade é tão arraigada que nossos cérebros às vezes cometem erros na tentativa de fazer reconhecimento de padrões, o que resulta em ver o rosto de Elvis em um pedaço de pão torrado.

5. Habilidade de multitarefa

A capacidade de multitarefa tem sido muito elogiada no local de trabalho, mas pesquisas recentes sugerem que não é tão eficiente quanto pensávamos. Varreduras do cérebro realizadas durante o ato de multitarefa têm mostrado que, em vez de executar mais de uma tarefa ao mesmo tempo, as pessoas na verdade apenas alternam entre tarefas diferentes. Pior: fazer várias coisas ao mesmo tempo pode levar a uma perda de produtividade de até 40% durante o dia. No final das contas, a multitarefa pode deixar as pessoas mais cansadas, além de frustradas com o pouco que realmente realizaram. A única maneira de fazer duas coisas ao mesmo tempo com sucesso é quando mal percebemos que estamos fazendo isso: quando apenas uma tarefa é intelectual por natureza, enquanto a outra é física. É por isso que podemos processar informação a partir de um áudio, por exemplo, enquanto passeamos com nosso cão. A desvantagem deste tipo de multitarefa é que limita severamente a nossa consciência do nosso entorno.

4. Brainstorming

Na superfície, brainstorming (termo em inglês que pode ser aportuguesado para “tempestade de ideias”, e que representa uma técnica de dinâmica de grupo) pode parecer uma ótima maneira de ter novas ideias e apresentar soluções criativas para os problemas. Porém, na verdade, o ato tem efeito inverso – nos deixa menos criativos e mais propensos a apenas concordar com as ideias das outras pessoas, ao invés de contribuir com as nossas. Há diferentes razões pelas quais brainstorming simplesmente não funciona, mas a principal é que as pessoas são muito preguiçosas. Pesquisadores da Universidade Texas A&M (EUA) chamam isso de “preguiça social“, quando as pessoas se sentam em uma sessão de brainstorming e só ouvem as ideias de outras pessoas, contribuindo com coisas apenas vagamente diferentes. Outros ficam hesitantes em apresentar suas próprias ideias por medo de rejeição, especialmente depois de ouvir sugestões bem aceitas. É mais fácil simplesmente explicar por que você concorda com todas as outras pessoas do que compartilhar suas próprias ideias. Isso, combinado com o fato de que a maioria das sessões de brainstorming duram muito mais tempo do que nossos surtos de criatividade, explica porque elas não dão muito certo.

3. Talento nato

Quando se trata de talento nato, as ideias são conflitantes. Alguns dizem que podemos ser o que quisermos ser, se trabalharmos duro o suficiente. Outros parecem destinados, ou nascidos para fazer tal coisa. A verdade, como sempre, está em algum lugar no meio dessas duas coisas. De acordo com Dianna Richardson, instrutora de música, existem talentos natos em pessoas inexperientes. Se manifesta em jovens estudantes que mostram capacidade natural para manter o ritmo e diferenciar o passo, mas é absolutamente incentivado por treinamento formal. Todo o talento cru pode continuar não refinado, sem o desenvolvimento dessas habilidades, e sem reconhecimento. Dedicação e motivação desempenham um papel enorme no talento.
 
O talento pode ser mais precisamente pensado não como uma inclinação para uma habilidade em particular, mas como um conjunto de traços de personalidade que tornam uma pessoa mais propensa a se destacar em um campo particular. Nossas personalidades e perspectivas estão sempre mudando, e isso é uma razão pela qual algumas pessoas não “descobrem” seus talentos escondidos até que estejam mais velhas. Pode ser que só então fatores externos, como tempo para a prática, ou encontrar um treinador ou mentor, permitiram que objetivos fossem definidos e caminhos descobertos.

2. Sensações fantasmas

A maioria dos amputados relatam sentir sensações e dor onde seus membros costumavam estar. “Sensações fantasmas” podem ocorrer até em não amputados, como o ato de sentir o telefone vibrar no bolso, mas perceber depois que ele não tocou. É o mesmo princípio em trabalho. Pesquisadores da Universidade de Vanderbilt (EUA) determinaram que diferentes partes do cérebro fazem ligações a certas partes do corpo, como um braço ou uma perna. Quando o membro é removido, as conexões que existem para ele permanecem ativas até que o cérebro lentamente se remapeie para se ajustar a essa nova condição. Pessoas que sentem vibrações de telefone fantasmas têm padrões neurais semelhantes aos que estão sentindo dor em um membro fantasma. Se seu telefone toca constantemente, você treina seu corpo a se familiarizar com a sensação, e seu cérebro trata o telefone como um apêndice. Essa é uma declaração vagamente preocupante sobre quão ligados a nossa tecnologia nos tornamos.

1. Fosfenos

Este fenômeno é algo com que todos nós estamos extremamente familiarizados, mas tendemos a nem pensar sobre. Se você esfregar seus olhos fechados, vai “ver” um arco-íris virtual de cores, formas, rabiscos e linhas. São os fosfenos, e o olho e o cérebro trabalham juntos para criar essas formas. Elas ocorrem quando não há estímulo visual externo. Isso pode acontecer quando você fecha os olhos, ou quando está focado em um cenário vasto, monótono e com pouca ou nenhuma mudança, como uma estrada escura à noite. Pessoas que passam longos períodos de tempo em privação sensorial ou meditação frequentemente relatam visões, provavelmente os fosfenos.

Estímulo físico para os olhos, como empurrar o globo ocular, pode criar fosfenos temporários, e eventos mais traumáticos, como ferimentos na cabeça, podem criar visões permanentes. Nestes casos, os fosfenos aparecem porque os centros visuais do cérebro estão ativos sem a presença de estímulos visuais externos. Por exemplo, pacientes submetidos à cirurgia cerebral mantidos conscientes que recebem estímulo em diferentes áreas de seus cérebros relatam ver fosfenos. Em estudos com pessoas cegas, o aparecimento de fosfenos acontece em diferentes áreas entre o olho e o cérebro, dependendo de que parte do sistema visual foi danificada.

Os seres humanos não são os únicos que podem ver essa “dança de luz e cor” nos olhos – o fenômeno tem sido observado em outros animais também. 
 
Fonte: http://listverse.com/

Neandertais não eram tão estúpidos assim

Se você acha que os Neandertais eram estúpidos e primitivos, é hora de rever seus conceitos. A noção generalizada de que eles eram burros e que sua inteligência inferior permitiu que fossem levados à extinção pelos antepassados ​​muito mais brilhantes do homem moderno não é apoiada por nenhuma evidência científica, de acordo com uma pesquisadora da Universidade de Boulder, no Colorado (EUA).

Neandertais prosperaram em uma grande área da Europa e da Ásia entre cerca de 350.000 e 40.000 anos atrás. Eles desapareceram depois que nossos antepassados​​, um grupo conhecido como “seres humanos anatomicamente modernos”, foi para a Europa a partir da África.

No passado, alguns pesquisadores tentaram explicar o desaparecimento dos Neandertais sugerindo que os recém-chegados foram superiores a eles em alguns aspectos fundamentais, incluindo a sua capacidade de caça, comunicação, inovação e adaptação a diferentes ambientes.

Mas, em uma extensa revisão de pesquisas recentes, a pesquisadora Paola Villa e o coautor Wil Roebroeks, arqueólogo da Universidade de Leiden, na Holanda, defendem a ideia de que as evidências disponíveis não suportam a opinião de que os Neandertais eram menos avançados do que os humanos anatomicamente modernos. Seu trabalho foi publicado recentemente na revista PLOS ONE.

“A evidência de inferioridade cognitiva simplesmente não existe”, afirma Villa, curadora do Museu de História Natural da Universidade do Colorado. “O que estamos dizendo é que a visão convencional que se tem dos Neandertais não é real”.

Villa e Roebroeks inspecionaram com atenção quase uma dúzia de explicações comuns para a extinção Neandertal que dependem em grande parte da noção de que eles eram inferiores aos seres humanos anatomicamente modernos. Estas incluem a hipótese de que os Neandertais não usavam uma comunicação complexa e simbólica; que eles eram caçadores menos eficientes, com armas inferiores; e que eles tinham uma dieta restrita que os colocava em desvantagem competitiva em relação aos humanos anatomicamente modernos, que comiam uma ampla gama de coisas. 

Os pesquisadores descobriram que nenhuma destas hipóteses é apoiada pela pesquisa disponível. Por exemplo, a evidência de vários sítios arqueológicos na Europa sugere que os Neandertais caçavam como um grupo, usando a paisagem para ajudá-los.

Pesquisadores demonstraram que os Neandertais provavelmente levaram centenas de bisões para a morte, orientando-os em um precipício no sudoeste da França. Em outro local utilizado pelos Neandertais, nas Ilhas do Canal, restos fossilizados de 18 mamutes e cinco rinocerontes foram descobertos na base de uma profunda ravina. Estes resultados implicam que os Neandertais podiam planejar com antecedência, se comunicar como um grupo e fazer uso eficiente de seus arredores, explicam os autores.

Outra evidência arqueológica descoberta em sítios Neandertais fornece razões para acreditar que eles na verdade tinham uma dieta diversificada. Microfósseis encontrados nos dentes e na comida de Neandertais que foram deixadas para trás em sítios usados para a culinária indicam que eles podem ter comido ervilhas selvagens, nozes, pistache, sementes de capim, azeitonas silvestres, pinhões e tamareiras, dependendo do que estivesse disponível localmente.

Além disso, os pesquisadores descobriram ocre, um tipo de pigmento da terra, em locais habitados por Neandertais, que podem ter sido utilizados para a pintura corporal. Ornamentos também foram coletados em territórios Neandertais. Tomados em conjunto, estes resultados sugerem que os Neandertais tinham rituais culturais e comunicação simbólica.

Villa e Roebroeks dizem que esta deturpação na percepção da capacidade cognitiva dos Neandertais pode estar ligada à tendência de pesquisadores em comparar essa espécie, que viveu no período Paleolítico Médio, com seres humanos modernos que viveram durante o mais recente período Paleolítico Superior, quando saltos na tecnologia foram feitos.

“Os pesquisadores estavam comparando os Neandertais não aos seus contemporâneos em outros continentes, mas com os seus sucessores”, compara Villa. “Seria como comparar o desempenho de Fords Modelo T, amplamente utilizados nos Estados Unidos e na Europa no início do século passado, com o desempenho de uma moderna Ferrari e concluir que Henry Ford foi cognitivamente inferior a Enzo Ferrari”.

Embora muitos ainda procurem uma explicação simples e prefiram atribuir a morte dos Neandertais a um único fator, como inferioridade cognitiva ou tecnológica, a arqueologia mostra que não há apoio científico para tais interpretações.

Mas se os Neandertais não eram tecnologicamente e cognitivamente desfavorecidos, por que eles não sobreviveram?

Os pesquisadores afirmam que a verdadeira razão para a extinção Neandertal é provavelmente muito complexa, mas algumas pistas podem ser encontradas em análises recentes do genoma Neandertal ao longo dos últimos anos. Estes estudos genômicos sugerem que os humanos anatomicamente modernos e os Neandertais provavelmente cruzaram entre si, e que as crianças do sexo masculino resultantes podem ter tido redução da fertilidade. Estudos genômicos recentes também sugerem que os Neandertais viviam em pequenos grupos. Todos esses fatores podem ter contribuído para o declínio desse povo, que acabou por ser engolido e assimilado pelo números crescente de imigrantes modernos.
 
Fonte: http://phys.org/